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Crise de tendência
Alzira Rodrigues
Enigmático. Assim o diretor de operações de caminhões da Ford, Oswaldo Jardim, define 2012. Após viver um primeiro semestre superaquecido, o mercado de caminhões desacelerou um pouco em agosto e a projeção do mercado total para este ano, que era de 177 mil, foi revista para 174 mil. Para Jardim a crise mundial vivenciada neste momento é muito mais complexa que a de 2008.
“É uma crise de tendência. Não é como há três anos quando foi tirado o fio da tomada e tudo desmoronou. O que temos agora é uma tendência de preocupação.” Jardim não acredita em crescimento nas vendas de caminhões no próximo ano. Acha que 2012 será melhor que 2009-2010, mas não chegará aos níveis de 2011. A projeção passa por uma série de análises, incluindo os problemas econômicos internacionais e a mudança do Euro 3 para o Euro 5, que deve gerar aumento de preço dos caminhões da ordem de 8% a 20%. Na avaliação de Jardim, a desaceleração do crescimento do mercado de veículos pesados sentida neste segundo semestre também pode ser consequência do anúncio de prorrogação dos benefícios do IPI e do PSI, programa de sustentação do investimento, que a princípio terminariam em dezembro.
“É uma medida importante para o setor, mas pode ter gerado postergação da compra antes programada para este fim de ano.”
Apesar de ter concedido férias coletivas em setembro, definidas como ajuste técnico para adequar estoques, a Ford está operando a plena capacidade – 194 caminhões por dia ou 22 por hora em um turno. No fim deste ano e no início do próximo irá parar três semanas por causa da mudança da linha para os produtos com tecnologia Euro 5.
“Todas as fabricantes terão de suspender a produção temporariamente para a mudança de linha. Vamos ter de aguardar a chegada dos novos produtos ao mercado para ver qual será a estratégia de marketing de cada montadora, como os preços serão posicionados”. Segundo o diretor da Ford, a chegada do Euro 5 é como se a indústria brasileira de caminhões começasse do zero. “Muda tudo.”
Na avaliação do executivo, após a Fenatran, que ocorre agora em outubro, o consumidor terá melhor entendimento sobre a nova tecnologia, especialmente a respeito de suas vantagens econômicas, além das ligadas ao meio ambiente. Em alguns casos a economia de combustível pode chegar aos dois dígitos, amortizando o gasto a mais desembolsado por ocasião da compra do produto.
A Ford encerrará este ano com vendas domésticas em torno de 36 mil caminhões, crescimento de 26% sobre os 28,5 mil de 2010. Sua participação até agosto no mercado total de caminhões ficou em 17,6% – tirando os extrapesados, segmento do qual não participa, tem 24,5%. A empresa encerrará o ano com 140 distribuidores, oito a mais do que em 2010.
Urbano. Na área de comerciais Jardim destaca o bom desempenho do utilitário Transit, comercializado no País nas versões de carga e de passageiros. No ano passado a fabricante negociou 2,5 mil unidade do modelo e a expectativa para este ano é chegar a 40 mil. A Ford inclusive está abrindo concessionárias exclusivas para a venda do Transit – já tem uma em Curitiba, SP, e ainda este ano inaugura outra na capital paulista. Na conversa com os distribuidores os dirigentes da Ford têm comentado que o momento envolve uma crise mais psicológica do que real.
A companhia projeta produzir 43 mil caminhões este ano, dos quais 36 mil para o mercado interno e o restante para exportação. Seus principais mercados são Argentina, com a compra de 4 mil unidades em 2011, e Chile – cerca de 800. Jardim acredita que as exportação para o mercado argentino devem manter-se em alta no ano que vem. “A Ford é a segunda marca de caminhões mais vendida lá, com 24% de participação no mercado.”
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