Dos caminhões aos touros, do sindicalismo à política, de uma federação para uma associação. Caminhos diferentes mas todos marcados por um currículo em comum: a participação no histórico acordo automotivo de 1992.
Luiz Adelar Scheuer, na época presidente eleito da Anfavea e representante da Mercedes-Benz na câmara setorial, tem hoje a Fazenda Calabilu, em Capão Bonito, no Interior de São Paulo, especializada em genética da raça Canchin LAS.
Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, está em seu terceiro mandato como deputado federal. E Sérgio Reze, presidente da Fenabrave na ocasião, é hoje presidente da Assobrav, Associação Brasileira dos Distribuidores Volkswagen. Ao lado deles Cláudio Vaz, que dirigia o Sindipeças em 1992.
As negociações começaram em dezembro de 1991, demandaram horas e mais horas de debates com a formação de 25 grupos para avaliar temas diversos, dentre os quais tributação, tecnologia, mercado internacional e exportação.
Envolvidos no debate, além dos principais representantes das fabricantes de veículos, das autopeças, dos concessionários e dos trabalhadores, autoridades de várias esferas do governo federal e também dos Estados produtores de automóveis.
Para os principais atores da câmara setorial automotiva o acordo de 26 de março de 1992 é indiscutivelmente um dos marcos mais importante da história da indústria automobilística brasileira. E sua relevância, para Vicentinho, vai além do setor: “É o maior acordo firmado na história das relações trabalhistas no Brasil”.
Para ele, a participação de Scheuer, de Cláudio Vaz e de Reze, além de representantes dos governos federal e de São Paulo, foi decisiva para o desfecho favorável das negociações. Vicentinho tem plano, inclusive, de transformar em um livro-documento a história da câmara setorial automotiva e os acordos firmados na ocasião.
Momento feliz. Scheuer, que só viria a tomar posse como presidente da Anfavea no dia 15 de abril, define aquele período como “um momento feliz”. Ele lembra que naquela época a indústria tinha capacidade instalada de 1,3 milhão de veículos por ano e produzia 900 mil: “Hoje temos capacidade acima de 4 milhões e o mercado interno está chegando nisso”.
Com a abertura política veio a abertura tecnológica: “Não podíamos importar eletrônica embarcada e não tínhamos produção local. A abertura econômica trouxe competição. A indústria estava moribunda e a câmara setorial representou a grande virada do setor”.
Na avaliação de Scheuer, os últimos vinte anos trouxeram grandes mudanças para o País e para a indústria automotiva em particular, que passou para um novo patamar de venda e, principalmente, de desenvolvimento industrial.
“Houve grande volume de investimento e de lançamentos. Foi um milagre dos grandes. Atualmente tem mais lançamento por ano do que na década de 1980 inteira.”
No mesmo ano em que participava da câmara setorial, Scheuer pensava em seu futuro pós Mercedes-Benz e começou a se preparar para quando deixasse a indústria.
“Não queria fazer mais do mesmo e queria contato com a natureza. A opção foi criar gado. Em 1992 comprei uma primeira área em Capão Bonito e, em 2002, quando sai da Mercedes‑Benz, decidi investir na genética, criar embriões para produzir carne de qualidade. Vendo sêmen e touros para todo o País.”
Naquele mesmo ano passou a disputar nas pistas e foi cinco vezes o melhor criador nacional.
Apesar da atividade agropecuária, Scheuer não abandonou de vez o setor. Desde 2004 coordena pela Fenabrave a pesquisa de satisfação de todas as marcas com atuação no País.
“Isso me mantém bastante atualizado e gera alguns trabalhos interessantes de consultoria. Me mantém vivo na área.”
O ex-presidente da Anfavea também participa do Conselho do Senai-SP, atuando na área de relações trabalhistas, uma especialidade sua.
Ainda dirigente. Dos protagonistas do acordo setorial Sérgio Reze foi o único a se manter ligado à mesma atividade ao longo de todo este tempo.
Como concessionário sempre priorizou a vida associativa e retornou à Fenabrave, que havia presidido na década de 1990, em 2005, mantendo-se à frente da entidade até dezembro passado. Em janeiro assumiu a Assobrav - Reze tem revendas Volkswagen em Sorocaba, SP.
Como participante da câmara setorial automotiva elogia a postura do governo da época pelo diálogo aberto que sempre mantinha com representantes da indústria em geral e também com os sindicalistas.
“Hoje as conversas do governo são fechadas. A gente só fica sabendo dos resultados sem participar do processo de decisão.”
Na sua avaliação a crise do setor que levou ao acordo automotivo foi consequência da abertura econômica que acabou com o congelamento de preços: “O problema não foi a abertura dos portos, a concorrência dos importados. O problema foi o fim das margens fixas que provocaram um grande solavanco no setor”.
Para Reze tão ou mais importante do que o primeiro acordo foi o segundo acordo automotivo, assinado em fevereiro de 1993. Na época os preços voltaram a ser reduzidos em torno de 20%, fruto da redução das margens, do IPI e também do ICMS. Houve aumento real de salário em três etapas de 6,27% cada e incentivos à venda de automóveis e caminhões, com ampliação do prazo do consórcio e também incentivos via Finame.
Cláudio Vaz, lembrado por todos que participaram da câmara setorial como figura indispensável para o sucesso das negociações nos idos de 1990, prefere não falar sobre o assunto. Ao ser questionado sobre qual caminho seguiu limita-se apenas a dizer: “Trato da minha vida e dos meus negócios pessoais. É muito prazeroso”.
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2005 - Primeira edição de Caminhão & Cia., março-abril.
Lançamento da geração 4 do VW Gol e do caminhão VW Constellation.
2008 - Primeira edição de TranspoData – março.
Produção supera 3,2 milhões de unidades.
2010 - Lançamento da WebTV AutoData.
Lançamento do novo Fiat Uno.
2012 - Vinte anos de AutoData.
Lançamento do Fiat Siena.