
Faça um teste: peça a uma pessoa não ligada diretamente ao setor automotivo, de bate-pronto, para nomear a linha de automóveis Chevrolet no Brasil. Provavelmente a resposta será Celta, Prisma, Classic, Corsa, Astra, Vectra, Meriva, Zafira. Eis que você será obrigado a corrigi-la: na verdade é Celta, Prisma, Classic, Agile, Cobalt, Sonic, Cruze e, agora, Spin. É novidade para ninguém botar defeito. Apesar da surpresa geral do interlocutor, quem sabe incredulidade, a resposta mais provável deverá ser: Spin?
Sim, Spin. É mais um Chevrolet de sangue 100% brasileiro prestes a ganhar o mundo. Pois a GM apresentou oficialmente na quinta-feira, 28, o modelo totalmente desenvolvido em São Caetano do Sul, no Grande ABC Paulista, e posto à prova e aperfeiçoado nas pistas e laboratórios do Campo de Provas da Cruz Alta, em Indaiatuba.
Assim como já ocorrera com a nova picape S10 e com o sedã Cobalt, o time GMB de engenharia capitaneado pelo VP para América do Sul Pedro Manuchakian projetou, desenhou e construiu a Spin, que também será fabricada em outros países – a Indonésia será a segunda fábrica GM no mundo a recebê-la, ao lado de São Caetano do Sul. O projeto previu inclusive direção do lado direito e três motorizações.
A missão não foi entregue por acaso: a Spin divide plataforma com o Cobalt. O entreeixos, por exemplo, é idêntico. Assim, faria todo o sentido a GMB também desenvolver o segundo derivado da nova família.
O lançamento do Spin não termina a gloriosa missão da nova engenharia da General Motors do Brasil. Ainda são os três projetos globais desenvolvidos aqui na lista de apresentações em 2012: os Ônix, em versão hatch e sedã, que serão produzidos em Gravataí, RS, e a nova Blazer, versão SUV da S10, que terá como casa São José dos Campos, SP.
Onze e dez – A missão da Spin será trazer de volta à rede Chevrolet o consumidor que busca um carro para a família, como já lhe fora oferecido com Meriva e Zafira, de largo sucesso em seus primeiros anos de mercado mas hoje envelhecidos – a Zafira soma onze primaveras em produção praticamente sem alterações, enquanto que a Meriva é pouca coisa mais nova, dez velinhas no bolo de aniversário, o que equivale a uma eternidade no mercado nacional de hoje.
Mais do que isso, a Spin tentará reanimar uma faixa de mercado quase que esquecida no Brasil, assim como das station wagons. Hoje parece até injusto que o sucesso que fizeram Citroën Xsara Picasso e a própria Zafira no País não tenha sido recompensado antes. O vilão desta história, no caso, são as SUVs.
A única novidade nacional recente neste segmento foi a Nissan Livina, ainda assim em 2009. A última investida foi da Jac Motors, com o J6 importado da China.
Mas foi mesmo no Nissan que a GM inspirou-se na hora de desenvolver a Spin. Assim como a concorrente, estão disponíveis duas versões, com cinco e sete lugares – a diferença é que o Chevrolet tem o mesmo nome para as duas, bem como repete a carroceria, enquanto o Nissan para sete ganha o prenome Grand e uma espichada na traseira.
Mas sentirá falta na Spin o consumidor da Zafira acostumado ao Flex7, o genial sistema que embutia a terceira fileira de bancos no assoalho. Na nova Chevrolet para sete ela sempre estará lá – ainda que possa ser rebatida –, reduzindo o espaço no porta-malas para 162 litros, pouco mais da metade do volume oferecido no Celta.
A faixa de preços também será próxima à do Livina, ou seja, agressiva, variando de R$ 44,6 mil a R$ 54,7 mil, contando com o IPI menor. O Nissan é vendido de R$ 43 mil a R$ 57,7 mil.
Spin e Livina terão em comum também a opção de motor, um 1,8 litro flexível. É verdade que o Nissan oferece uma opção 1,6 litro de entrada, mas por seu lado o Chevrolet estreia o EconoFlex 1.8, produzido em São José dos Campos.
Além do Livina a GM vê como concorrentes o Fiat Idea e o VW SpaceFox.
As versões são as tradicionais LT e LTZ: de série direção hidráulica, ar-condicionado, air bags frontais, freios ABS com EBD e vidro e trava elétricos. Há opção de câmbio automático de seis velocidades para ambas, mas sete lugares só na LTZ.
A previsão de vendas é de 2,8 mil unidades/mês. O modelo chega às revendas até o fim da primeira quinzena de julho e também à Argentina, exportado a partir do Brasil, até o fim do ano.
