A Renault não parece muito satisfeita com seu desempenho no primeiro semestre de 2011 no mercado brasileiro, em alta de nada menos de 37% ante média geral em baixa de 0,4%, quando considerados apenas automóveis e comerciais leves.
Ou, ao menos, não parece acomodada. As 110,5 mil unidades vendidas na primeira metade do ano projetam, segundo Olivier Murguet, presidente da subsidiária brasileira, mais de 200 mil Renault comercializados ao fim do ano e 6,5% de participação, com resultado final de 15% a 20% acima de 2011 – abaixo do índice do primeiro semestre porque a base de comparação do segundo é bem mais alta. Pequena parte deste volume será de lançamentos, que mostrarão mais força à medida que 2013 avançar.
O principal deles será o novo Clio, maior destaque Renault no Salão do Automóvel, em outubro, e que voltará a representar seu veículo de entrada no País. O modelo é uma evolução daquele hoje à venda, com desenho dianteiro e traseiro e interior renovados, bem como seus motores. Mas a plataforma permanece a mesma, e também seu local de fabricação: Argentina.
Antes, entretanto, chegará às lojas o novo Sandero, com leves retoques visuais e mecânicos. O modelo, disparado o Renault mais vendido aqui, terá novamente uma opção de apelo esportivo, a GT Line.
E antes também uma cartada para tentar tirar as vendas do sedã Fluence – assim como o Clio, fabricado na Argentina – do marasmo: versão com motor turbo, que concorrerá diretamente com o Peugeot 408 THP.
Depois, já em 2013, chega o furgão Master com visual igual ao europeu, bem agressivo, inspirado mais em automóveis do que exatamente em utilitários.
IPI – Mas Murguet afirmou não saber se quando do lançamento dos novos Sandero, Clio e Fluence os preços terão ainda o abatimento do IPI: "Trabalhamos dentro do prazo estipulado pelo governo, de término do benefício em 31 de agosto".
Apesar de afirmar que "agradece profundamente" a iniciativa oficial de incentivo às vendas ele evitou defender sua continuidade: "Se a redução do IPI continuar para além de agosto não vou reclamar, mas se não ocorrer entendo que não haverá problemas, exceto uma pequena ressaca de mercado, o que é normal".
Ele insistiu, contudo, que "o mercado não pode viver eternamente com benefícios: tem que conviver com o mundo real".
Murguet revelou que a Renault estudou adotar paralisação de produção em um ou dois dias da semana em São José dos Pinhais antes da redução do IPI, para adequar o ritmo fabril à demanda de então. O que hoje não é mais necessário, adicionou.
Assim como já fizera em seminário promovido pela AutoData Editora o presidente da Renault brasileira estimou que graças à redução do IPI 500 mil unidades a mais serão vendidas em 2012 – 3,6 milhões de automóveis e comerciais leves ante 3,1 milhões se o benefício não tivesse sido concedido: "Sem o IPI 2012 cairia de 5% a 6%, mas agora acredito que subirá 5%".
Ele afirmou que as 500 mil unidades extras que projeta graças ao IPI menor referem-se até o prazo original do benefício, 31 de agosto: "Se for prorrogado, este volume pode crescer ainda mais".