Com a redução da produção de caminhões e ônibus no País desde janeiro, como consequência direta da nova lei de emissões equivalente à Euro 5, a fabricante de motores diesel MWM International partiu para diversificação da base de clientes. Em ano em que a produção de caminhões caiu 39% e a de ônibus 30%, ambas até julho, a divisão de aplicações especiais da empresa deve fechar o ano em crescimento de 22%, segundo os cálculos do presidente José Eduardo Luzzi.
A divisão responde pela comercialização de motores para negócios fora do segmento veicular, considerado pela MWM como caminhões e ônibus. Estão neste braço as vendas para aplicações agrícolas, marítimas, industriais e de geração de energia.
Neste 2012 a área de aplicações especiais deverá quebrar seu recorde de produção, com cerca de 30 mil motores produzidos no País, incluindo os volumes para exportação.
A partir do ano que vem este volume poderá ser ainda maior: a fabricante fechou novo contrato de fornecimento para a área agrícola, com a Budny, de Içara, Santa Catarina.
Serão cerca de 4,6 mil motores fornecidos em 5 anos, com início a partir do primeiro semestre de 2013. Os motores entregues à Budny serão os MaxxForce 3.0A de três cilindros e 4.0A com quatro cilindros, produzidos na unidade de Santo Amaro, em São Paulo.
A Budny, de origem nacional, é especializada no agronegócio: além de tratores produz implementos agrícolas e equipamentos para os segmentos leiteiro, aviário e fumageiro, além de fundidos e usinados.
Os tratores Budny são montados a partir de kits CKD, de origem asiática. Luzzi explica que "a empresa percebeu que precisava nacionalizar a maior parcela possível de componentes para tornar-se mais competitiva no mercado nacional".
O novo contrato foi consequência de mudança na estratégia comercial e de comunicação da MWM International, que passou a dedicar maior atenção a feiras dos segmentos agrícola e industrial em todo o País. "Foi em uma destas oportunidades, na Expodireto em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, em março, que tivemos o primeiro contato com a Budny."
A empresa catarinense poderá ser a primeira de uma série de novos clientes para a MWM no ramo agrícola: a fabricante está em fase final de negociações com outras empresas do segmento, também interessadas em elevar nacionalização de componentes.
Retorno às sextas – A sexta-feira, 31, marcou o retorno de atividades da MWM nas plantas de Santo Amaro e Canoas, RS, às sextas-feiras. Nos últimos três meses a jornada foi de semana curta, ou seja, apenas de segunda a quinta-feira, inclusive para o pessoal administrativo.
Segundo Luzzi o término da semana curta correspondeu ao prazo acordado com os sindicatos para a iniciativa, e a empresa preferiu não negociar uma possível extensão.
"O acordo envolveu também a eliminação de horas extras, o que acaba por prejudicar um pouco a flexibilidade da produção."