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Vicente Alessi, filho

A História, a Vitória: vida e obra de Oscar Augusto de Camargo.

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No tempo das carruagens do setor automobilístico brasileiro alguns pioneiros até eram engenheiros, profissão que o imaginário das pessoas associa a veículos. Outros eram advogados, burocratas e muitos foram formados pelas escolas da vida, uma escola generalista que os levou à direção de empresas notáveis. O caso de Oscar Augusto de Camargo, presidente da Anfavea de 1966 a 1974, é um desses – de quando o filho de um marceneiro do Brás conseguia programar a sua ascensão profissional.

E o resultado foi um profissional da administração que, afinal, sofreu perseguições, no bom sentido, de empresas privadas e estatais, e de entidades associativas, como solução para seus problemas. Mais: esse destaque no meio de executivos empresariais colocou-o no centro do furacão da economia brasileira desde 1930, quando seu mentor, o advogado Alfredo Egydio de Souza Aranha, convidou-o para dirigir a Fiação e Tecelagem São Paulo, na Mooca, em São Paulo.

A relação dos dois remontava a 1920, quando Oscar, 12 anos completos, foi admitido, como office boy, na banca de Alfredo Egydio, que também era político, empresário, banqueiro e dono do diário paulistano A Razão. Exerceu diversos cargos e funções “e mostrou a sua natural vocação para o empreendedorismo e para a liderança”.

Em dois anos já era o diretor de fiação e associou a empresa ao recém-criado Sindicato da Indústria Têxtil, hoje Sinditêxtil, do qual tornou-se diretor em 1935. Por esta época adquiriu conhecimentos ligados à organização racional do trabalho por meio do IDORT, criado por Armando de Sales Oliveira e por Roberto Simonsen, e passou a adotá-los na Fiação.

Em 1945 Simonsen colocou seu nome no conselho fiscal do CIESP. Daí até a aposentadoria Oscar conheceu e conviveu com todos os presidentes da República – de Vargas a Sarney. E conheceu, e conviveu, com outros setores de atividade e suas dificuldades, como a industrialização do trigo como diretor técnico do Moinho São Paulo, e o de chapas de fibras de madeira como diretor técnico da Duratex, empresas do amigo Alfredo Egydio.

Numa época em que pouco se viajava para o Exterior e em que as alegres caravanas comerciais demoravam meses para terminar seus périplos ele viajou pelas Américas, visitou a Ásia, foi à África, conheceu o mundo.

Oscar era diretor da Fiação e do Moinho São Paulo, primeiro vice-presidente da FIESP/CIESP, presidente do Sindicato da Indústria Têxtil nos meados do governo JK. E nos tempos de Fenit, a primeira realizada em 1958, e de Salão do Automóvel, o primeiro realizado dois anos depois.

De 1958 a 1962 ele trabalhou para o governo do Estado, a chamado do governador Carvalho Pinto, que queria “gente séria” para fazer a unificação das rodovias paulistas debaixo de um novo guarda-chuvas, a Fepasa.

Ao telefone com Oscar o governador teria dito que precisava “de alguém de confiança para não deixar a política interferir na companhia, e que tenha alto padrão de idoneidade. Gostaria que você assumisse”. Os autotrens foram gestados nessa época: a ferrovia transportava os caminhões em viagens noturnas, aliviando o tráfego nas complicadas rodovias da época.

A indústria de veículos achegou-se a Oscar em 1963, por meio de convite do superintendente da Vemag, Lélio de Toledo Piza e Almeida Filho. Queria a colaboração de Oscar por duas horas diárias.

No ano seguinte ele já era diretor da Anfavea, a entidade que reúne os fabricantes de veículos, fundada em maio de 1956: “Foi o suficiente para que ele se motivasse com a nova experiência. Ficou claro que deveria dedicar-se por mais tempo à empresa [a Vemag] e reforçar sua contribuição. Comprometido com o cargo de diretor administrativo permanece lá até 1974, e participou do desenho e desenvolvimento do setor, desde o início”.

A companhia era muito animada e aproveitava a pobreza das ofertas no mercado para fazer lançamentos com muita frequência. Oscar, por exemplo, participou dos lançamentos da Caiçara, versão popular da Vemaguet, do Fissore e do DKW Lubrimat, do jipete Candango, da Vemaguet Rio, do popular Pracinha, que sucedeu à Caiçara.

O carro popular, então, foi gerado nesse período infante da indústria automobilística, e correspondeu provavelmente à sua primeira grande crise, quem sabe uma febre do feno. A solução da época não foi surpreendente: já era 1965 e o governo da ditadura se comprometeu a comprar 50 mil unidades contanto que fossem populares – tanto é que Pé de Boi era o Fusca popular.

“Fui eu que recebi o cheque das mãos de Roberto Campos, que era o ministro do Planejamento no governo do presidente Castello Branco”, contou Oscar mais tarde. “O governo pagou à vista, trazendo alívio imediato às indústrias.”

É possível que o projeto tenha envolvido período de tempo, como três meses, e não volume de veículos, 50 mil, adverte o jornalista José Roberto Nasser, que conheceu Oscar Augusto de Camargo rapidamente e dele se recorda do aperto de mão, “firme, duro”. E que as vantagens tenham sido a redução do IVC, Imposto sobre Vendas e Consignações, e o financiamento pela caixas econômicas da época, num total de pouco mais de 14 mil unidades.

Depois disso os pé de boi foram mantidos nas linhas de produção com preços situados no primeiro degrau da tabela, recorda Nasser.

Em 1966 tornou-se o quarto presidente da associação, sucedendo a Sebastião Dayrell de Lima, que representava a Simca, sendo reeleito duas vezes.

A Volkswagen comprou a Vemag em 1967 e em 1974, com mandato encerrado como presidente da Anfavea, Oscar deixa a empresa e torna-se diretor gerente da Karmann-Ghia até dois anos depois, cargo no qual foi sucedido pelo também pioneiro Harald Uller Gessner.

Também em 1967 o Estado voltava a atrair os esforços de Oscar na forma de convite feito pelo governador Roberto Costa de Abreu Sodré para que assumisse a diretoria financeira da Cosipa. Ficou lá até 1976. Em 1980, com Oscar já aos 72 anos, assumiu a presidência do IDORT, cargo que ocupou por onze anos.

Foi dono da fazenda Vitória – “mais do que uma fazenda foi um projeto de vida” –, de 586 alqueires, localizada em Itapeva, a 270 quilômetros de São Paulo, que comprou em 1957 e onde desenvolveu trigo e soja e pecuária.

Faleceu em São Paulo em 1996.

Serviço

Oscar Augusto de Camargo: a História, a Vitória.
Escrito por Eliana Mendonça com edição de texto de Vanise P. Martines
Edição do Autor
Primeira edição: Rio de Janeiro, 2016
134 páginas


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