São Bernardo do Campo, SP – Tradicional polo automotivo brasileiro o ABC paulista quer se tornar, também, a capital da mobilidade elétrica no País. Com este objetivo o Ciesp, Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, regional de São Bernardo, lançou em 20 de maio seu Comitê de Eletromobilidade.
A ideia é criar uma agenda permanente para discutir propostas, fomentar estratégias e colocar em prática ações concretas para o município e para a Região do Grande ABC se tornarem protagonistas da transição energética do Brasil. O Ciesp SBC não quer trilhar este caminho sozinho. Ele conta com aliados de peso, como montadoras, universidades, centros de formação profissional, instituições ligadas ao ecossistema de mobilidade elétrica e poder público, todos representados em evento realizado na sede da fabricante de ônibus elétricos Eletra.
“A cidade tem vocação automotiva desde 1956, quando as fabricantes começaram a se instalar por aqui”, afirmou o diretor titular do Ciesp SBC, Mauro Miaguti. “Hoje, vivemos a transição para a eletromobilidade. O que estamos fazendo para tirar proveito disto?”
Miaguti se apoia em números para reforçar que a mobilidade elétrica já virou realidade no Brasil. No ano passado as vendas de veículos leves eletrificados subiram 26% ante 2024 e o Estado de São Paulo respondeu por 30,6% dos emplacamentos, segundo a ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico.
“A eletromobilidade nos oferece estratégias de inovação e uma reflexão sobre o que queremos para os próximos quinze anos.”

O recém-criado comitê se espelha no exemplo da Alemanha, uma das referências internacionais em eletromobilidade. De acordo com dados da VDA, Associação Alemã da Indústria Automotiva, o país europeu tratou a transição elétrica com uma agenda integrada, envolvendo indústria, infraestrutura, pesquisa e desenvolvimento e qualificação. Até 2024 haviam sido investidos 44 bilhões de euros no segmento e a rede pública dispunha de 160 mil pontos de recarga.
“São Bernardo possui base industrial, tradição automotiva, centros de formação e empresas estratégicas. Nosso desafio é unir estes ativos em torno da mobilidade elétrica, como aconteceu na Alemanha.”
Mauro Miaguti alerta, no entanto, que a eletromobilidade exige muito mais do que carros, motos, patinetes, bicicletas e outros veículos movidos a bateria. É preciso pensar em formação técnica, fornecedores preparados, segurança na manutenção e articulação da indústria com a academia e o poder público.
“Existe, atualmente, alguns cursos de eletromobilidade no ABC, mas ainda assim, há carência de mão de obra qualificada para lidar com veículos elétricos. Segundo o Senai a demanda por profissionais para a eletromobilidade deve chegar a quase 100 mil vagas nos próximos cinco anos.”
O executivo destacou que, internamente, o comitê atuará em quatro frentes: cadeia de fornecedores, capacitação e mão de obra, sustentabilidade e economia circular e infraestrutura. Para Miaguti o Brasil não pode perder tempo se quiser figurar como protagonista neste movimento: “A eletromobilidade vive uma disputa global. Quem se organiza primeiro atrai investimentos, tecnologias e talentos. O Brasil está no radar da expansão internacional e queremos inserir São Bernardo neste cenário”.





