Rota 2030 aproxima Brasil e Argentina

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CompartilheSeminário AutoData
24/08/2017

A nova política industrial para o setor automotivo pode aproximar ainda mais o Brasil e a Argentina. Foi o que o presidente da Anfavea, Antônio Megale, disse durante o Seminário AutoData Os Novos Desafios da Indústria Automotiva Brasileira, nesta segunda-feira, 21. Ele afirmou que no âmbito do Rota 2030 os governos estão discutindo a harmonização das legislações técnicas para o setor automotivo de cada país:

 

“Este é o primeiro passo. Nesta semana haverá uma reunião de representantes do governo argentino e do setor automotivo de lá com os grupos de estudo do Rota 2030. Pensar uma indústria regional é importante até para as negociações do acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia. Precisamos estar afinados para podermos competir no mercado global”.

 

Megale afirmou que o segundo passo acontece de forma natural, pois as empresas já usam os dois países como bases produtoras para a região: “Mas o custo ainda é alto, pois há diferenças na legislação que impedem o ganho de competitividade regional. Equacionando esse e outros pontos as empresas poderão usar o parque fabril dos países até para a regulação dos seus estoques e fazer da região base de exportação global”.

 

Segundo ele, uma política regional poderia aumentar a capacidade de produção e, assim, tornar o Mercosul um jogador importante no mercado mundial: “Poderemos fabricar de 6 a 7 milhões de veículos por ano. Poderíamos ser um dos maiores fabricantes no mundo. Mas, para isso, precisamos pensar primeiro o regional”.

 

Medida provisória – Megale esclareceu que o Rota 2030 deverá ser criado por meio de uma medida provisória até novembro: “Temos seis grupos de trabalho e muitos já concluíram os estudos. O arcabouço do programa estará pronto para substituir o Inovar-Auto já em janeiro do próximo ano”.

 

No último dia 14, o ministro do Ministério do Desenvolvimento, Comércio Exterior e Serviços, disse, durante um evento na fábrica de Volkswagen, em São Bernardo do Campo, SP, que em até três meses, o Rota 2030 estará lançado. Neste mesmo dia, o presidente da VW, David Powels, afirmou não acreditar nesse prazo, pois há muitas divergências nas discussões do novo programa.

 

Megale, mais otimista, disse que algumas diretrizes podem ser aprovadas nesse período: “O que causa discussão é a questão tributária. Ainda não está definido se haverá mudança nas regras do IPI, e, se isso ocorrer, o Rota 2030 tem que ser apresentado até o dia 3 de outubro para começar a vigorar no primeiro dia de janeiro”.

 

Sempre quando há mudança nas regras tributárias é necessário 90 dias para as empresas e o governo se adaptarem às normas. “As discussões têm evoluído. Estamos agora na fase final, por isso acredito que a MP esteja publicada a tempo. Até porque, o governo pode depois publicar os decretos para pormenorizar a medida provisória”.

 

O que deve ser publicado até novembro, segundo Megale, são as metas de eficiência energética para os próximos 15 anos, e quais as suas etapas, as regras para segurança veicular para até 10 anos, a simplificação tributária, as medidas para o fortalecimento da cadeia de autopeças: “Com previsibilidade poderemos aumentar a competitividade e sermos um jogador importante no cenário mundial. O Rota 2030 nos dará isso”.

 

Foto: Maurício de Paiva