São Paulo — A pressão dos importados, os desafios regulatórios e a necessidade crescente de adaptação tecnológica estarão no centro dos debates da ExpoBor e da Pneu Show, tradicionais feiras que serão realizadas simultaneamente de 23 a 25 de junho, no Expo Center Norte, em São Paulo.
A Francal Feiras, empresa responsável pela montagem e organização dos eventos, estima receber público até 10% superior ao registrado na edição anterior, quando aproximadamente 9,6 mil visitantes passaram pelos pavilhões.
Mudanças profundas
Segundo Renato Cordeiro, chefe de portfólio de eventos B2B da Francal, a expectativa reflete o momento de transformação vivido pelo setor e a necessidade crescente de atualização tecnológica das empresas: “As duas feiras vêm crescendo porque o setor atravessa um período de mudanças muito profundas. Diante disso, há uma demanda muito grande por informação, atualização técnica, novas tecnologias e discussão regulatória.”
Somadas as duas feiras reunirão cerca de 200 expositores, com a ExpoBor concentrando fornecedores de matérias-primas, máquinas e equipamentos voltados à cadeia de artefatos de borracha, enquanto a Pneu Show reunirá empresas ligadas à indústria de reforma de pneus e seus fornecedores.
Além da feira de negócios, a programação contará com congresso técnico nas manhãs dos dois primeiros dias e painéis voltados a temas como reforma tributária, inteligência artificial, internet das coisas, logística reversa e os impactos da concorrência internacional sobre a indústria brasileira.
Cenário econômico preocupante
O cenário econômico atual do setor preocupa as entidades representativas dos dois segmentos. Segundo Reynaldo Magna, presidente executivo da Abiart, Associação Brasileira da Indústria de Artefatos de Borracha, e do Sindibor, Sindicato das Indústrias de Artefatos de Borracha e da Reforma de Pneus no Estado de São Paulo, a indústria nacional de artefatos de borracha vem perdendo participação no mercado interno ao longo dos últimos anos em razão do avanço das importações, especialmente asiáticas.
Dados da indústria de artefatos de borracha mostram que, em 2006, aproximadamente 91% do consumo do setor era atendido pela produção local. Em 2025 este índice caiu para cerca de 58%. “O grande desafio hoje é preservar a competitividade da indústria brasileira. O aumento das importações, associado ao custo Brasil, juros elevados e questões logísticas, vêm reduzindo fortemente a atratividade da produção nacional”.
Segundo ele o setor de artefatos de borracha possui atualmente cerca de 2,5 mil empresas efetivamente ativas no País e responde por aproximadamente 66 mil empregos diretos formais, quando somados também os segmentos de artefatos e reforma de pneus. A cadeia automotiva continua sendo o principal mercado consumidor do segmento, com algo entre 28% e 30% do faturamento do setor ligado às montadoras, sistemistas e mercado de reposição.
Concorrência Internacional e ESG
Outro ponto de preocupação destacado é o crescimento da lista de autopeças consideradas não produzidas no Brasil e que, por isso, possuem redução a zero do imposto de importação. Segundo dados apresentados pelo diretor do Sindibor, aproximadamente 400 itens de borracha já integram esta relação, número que pode praticamente dobrar dependendo da classificação dos componentes.
O setor também acompanha com atenção a implantação do Inventário Nacional de Substâncias Químicas, inspirado em regulações internacionais como o REACH europeu, além das novas exigências ligadas à logística reversa e destinação ambiental de pneus.
Já no segmento de reforma de pneus, a avaliação é de que o mercado continua economicamente relevante, movimentando aproximadamente US$ 528 milhões por ano, vez que a recapagem ainda aparece como oferecendo vantagem econômica importante para transportadores, especialmente nos segmentos de caminhões e ônibus, desde que executada dentro das normas técnicas e de segurança estabelecidas pela regulamentação vigente.




