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VW Caminhões e Ônibus prevê fim dos recursos do Move Brasil 2 até agosto

Montadora avalia que a inclusão dos ônibus no programa acelerou a demanda por financiamentos

São Paulo – A Volkswagen Caminhões e Ônibus avalia que os recursos da segunda fase do Move Brasil poderão ser totalmente consumidos até agosto. Eles são impulsionados pela ampliação do programa para ônibus, carrocerias e implementos rodoviários, além da demanda represada. Com orçamento de R$ 21,2 bilhões, o Move Brasil 2 dispõe do dobro dos recursos da primeira fase, que obteve R$ 10 bilhões. Apesar disso, a montadora acredita que a adesão ocorrerá em ritmo ainda mais acelerado.

Segundo Ricardo Alouche, vice-presidente de Marketing, Vendas e Pós-Vendas da VW Caminhões e Ônibus, a diferença em relação à primeira etapa é que o mercado já conhece as regras do programa e os sistemas bancários e das concessionárias estavam preparados para operar a linha de crédito desde o primeiro dia.

“Acredito que os recursos serão totalmente consumidos, considerando caminhões e ônibus, até meados ou, no máximo, o final de agosto. Não deve haver recursos suficientes para avançar muito além da segunda metade de agosto.”

De acordo com o executivo o intervalo entre o encerramento do Move Brasil 1 e o início da nova fase represou diversos negócios. Com a reabertura da linha, os faturamentos começaram imediatamente. “O cliente hoje já sabe as vantagens que terá com o programa. Ele não precisa esperar o vizinho comprar para ver se é bom ou não. Por isso eu acho que esse recurso vai ser consumido na sua totalidade.”

Outro fator que contribui para a rápida utilização dos recursos é a ampliação dos itens financiáveis. Enquanto a primeira fase contemplava basicamente os caminhões, a nova etapa passou a incluir implementos rodoviários, ônibus e carrocerias, elevando o valor médio das operações.

A Volkswagen estima ter negociado de 500 e 700 caminhões apenas na segunda fase do programa. Considerando as duas etapas, a montadora já ultrapassou a marca de 3 mil veículos comercializados. “O balanço é muito positivo. Seguramente nós já vendemos mais de 3 mil unidades utilizando o Move Brasil 1 e parte do Move Brasil 2 agora.”

Segundo o executivo, o programa também teve impacto direto sobre a atividade industrial. “O Move Brasil veio para dar uma oxigenada no setor. Com certeza evitou demissões nas linhas de produção e gerou incremento de vendas, antecipando compras que talvez fossem realizadas somente no fim do ano.”

Ônibus

A entrada dos ônibus no Move Brasil, reivindicação defendida pelo setor desde a primeira fase, já começa a produzir resultados expressivos. Segundo Jorge Carrer, diretor de Vendas de Ônibus da VWCO, a empresa comercializou 150 ônibus apenas na primeira semana do Move Brasil 2. “Tem sido super positiva a inclusão dos ônibus no programa. Já era uma demanda que tínhamos desde a primeira fase. Acabamos sendo atendidos e o balanço é super positivo.”

Segundo Carrer, o programa tem acelerado negociações em praticamente todos os segmentos do mercado, incluindo micro-ônibus, urbanos e veículos de fretamento. “O Move Brasil tem sido um acelerador dos negócios, um catalisador. Aquele cliente que estava cotando, pensando, tentando aprovar crédito, está correndo atrás para conseguir reservar os recursos.”

A montadora também observa uma antecipação das compras. Clientes que tradicionalmente aguardavam eventos do setor ou deixavam a renovação de frota para o segundo semestre passaram a fechar negócios imediatamente para garantir acesso às condições de financiamento. “Tem clientes que normalmente aguardavam a LatBus ou deixavam para comprar no segundo semestre. O que a gente nota é que eles estão vindo comprar agora.”

Além do limite de recursos, há também uma restrição operacional. Como o programa tem prazo de vigência, os veículos precisam estar produzidos, encarroçados e aptos ao financiamento até o fim de agosto, o que tem aumentado a pressão por decisões rápidas de compra.

Para Alouche, os resultados reforçam a necessidade de transformar o Move Brasil em uma política permanente de renovação de frota. “O Move Brasil já mostrou que efetivamente gera negócios, gera maturidade e gera previsibilidade para o setor.”

Caminho da Escola e Caminho da Saúde

Além do avanço impulsionado pelo Move Brasil, a VWCO também projeta crescimento por meio dos programas governamentais de renovação de frota. A empresa venceu aproximadamente 88% dos lotes da fase 13 do Caminho da Escola, licitação que prevê a aquisição de 7,2 mil ônibus escolares com entregas programadas entre este ano e o segundo trimestre de 2027.

Segundo Carrer o resultado reflete a estratégia da montadora de manter uma estrutura dedicada ao atendimento do setor público. “A gente tem uma especialização muito forte nas vendas ao governo. Temos um programa permanente para desenvolver produtos dedicados a esse nicho de mercado.”

O executivo afirma que o programa terá peso significativo na operação de ônibus da companhia. “Em um ano como este, em que temos esse volume grande concentrado em um único período, esse programa pode representar entre 30% e 40% de tudo o que vendemos no segmento de ônibus.”

Já o Caminho da Saúde prevê a aquisição de 3 mil micro-ônibus e 3 mil vans para atendimento da rede pública. A Volkswagen ainda aguarda a conclusão dos processos documentais e a assinatura dos contratos para divulgar sua participação efetiva nos programas.

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