São Paulo – A Bajaj do Brasil assumiu, a partir da terça-feira, 9, o controle da KTM no País e passa a ser a responsável por vendas, marketing, desenvolvimento de rede, serviços e peças da marca austríaca. A produção em Manaus, AM, contudo, será independente. A Bajaj manterá sua própria linha de montagem, atualmente com capacidade para produzir 60 mil unidades/ano.
A KTM ainda está em fase de estabelecimento de sua fábrica, que poderá produzir até 20 mil motos/ano.
A origem da mudança remonta ao fim de 2024, quando a KTM AG entrou com um pedido de reestruturação judicial na Áustria. A empresa enfrentava uma grave crise financeira e acumulava dívida bilionária que colocava em risco a continuidade do negócio.
O Grupo Bajaj, com origem na Índia, parceiro estratégico da KTM desde 2007, já era peça fundamental na sua operação: além de deter cerca de 49% da companhia o grupo produz 300 mil unidades de modelos de baixa cilindrada da KTM na Índia.
Durante o processo de recuperação a Bajaj injetou cerca de 800 milhões de euros, inicialmente para tornar viável o cumprimento do plano aprovado pelos credores e pelas autoridades austríacas. Com a conclusão das etapas regulatórias necessárias assumiu oficialmente o controle da KTM.
A mudança abriu caminho para uma reorganização global das operações da fabricante austríaca, incluindo sua atuação no mercado brasileiro.
O que muda?
No Brasil o plano de negócios será baseado no compartilhamento de estruturas e recursos das duas marcas. Áreas como administração, marketing e logística passarão a operar de forma integrada, buscando ganhos de eficiência e redução de custos. A logística compartilhada faz ainda mais sentido diante dos planos industriais das duas fabricantes — a Bajaj já mantém linha de montagem no Polo Industrial de Manaus, AM, e a KTM prepara sua estrutura produtiva ali.
Apesar da aproximação operacional as táticas comerciais seguirão separadas. As concessionárias continuarão independentes e cada marca manterá seu próprio posicionamento no mercado, embora a Bajaj admita a possibilidade de um mesmo grupo ter lojas das duas marcas mas separadas fisicamente.
“Esta nova fase representa mais do que uma mudança de estrutura: é o fortalecimento da nossa capacidade, como grupo, de atender a um público cada vez mais amplo de motociclistas brasileiros”, disse Waldyr Ferreira, CEO da Bajaj no Brasil. “Estamos animados com as oportunidades que este movimento traz, seja para os atuais proprietários de KTM e Husqvarna, para nossa rede de concessionárias e para os novos clientes que desejam entrar no universo premium de uma das nossas marcas.”

Novos modelos confirmados
O compartilhamento tecnológico, que já existe globalmente, continua. A ideia, contudo, é preservar as características que tornaram cada marca reconhecida pelos consumidores. Em outras palavras a KTM continuará focada em seu perfil mais esportivo e aventureiro e a Bajaj seguirá com seu tom próprio de produtos e expansão.
Para os consumidores brasileiros a principal consequência da nova fase pode ser uma presença mais sólida da KTM no país. A fabricante já confirmou a chegada de dois modelos importantes para o mercado nacional: a 390 Adventure e a 790 Adventure. Ambas serão montadas em Manaus, movimento que reforça o compromisso da marca com a operação local e promete preços competitivos.
A aposta em produção nacional também tende a facilitar a disponibilidade de peças, melhorar a estrutura de pós-venda e criar condições mais favoráveis para a expansão da rede de concessionárias.
O futuro da KTM
A aquisição marca um dos capítulos mais importantes da história recente da KTM: após atravessar uma das maiores crises financeiras de sua trajetória passa a dispor do suporte de um dos maiores grupos motociclísticos do mundo.
“Tanto Bajaj quanto KTM crescerão com esta parceria”, afirmou Rakesh Sharma, diretor executivo da Bajaj Auto. No Brasil a expectativa é que a organização e a capacidade de investimento da Bajaj e o prestígio da KTM no segmento premium permitão ampliar a oferta de modelos e fortalecer a presença da marca austríaca em um mercado que segue em expansão.





