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100 AutoData Outubro 2017 Ford de. A pergunta é: até quando esse avan- ço argentino vai se sustentar?”. Mais um argumento para a sua cautela: como no acumulado do ano as vendas diretas cresceram 9,9%, a venda“normal” ao consumidor na ver- dade caiu 2,9%, tomando- se por base o crescimento de 7%divulgado até agora: “A participação das vendas diretas to- mou proporção que não era prevista”. De acordo com Golfarb “os grandes enigmas a seremdesvendados em2018 são a continuidade da venda para a Ar- gentina e a sustentabilidade da venda para frotistas”. MUDANÇA DE CURVA – Descon- fianças à parte, o dirigente afirma que o setor vive instante de inflexão: “Isto fica claro emvários indicadores: na evo- lução do PIB, na produção de papelão, nos movimentos dos caminhões nas estradas pedagiadas...”. As vendas da Ford, segundo Golfarb, tambémmostram isso: “De 2013 pra cá, sistematicamente, os meses eram pio- res que os anteriores. Nós últimos qua- tromeses a curvamudou. A tendência é vermos números mais bonitos”. Ele afirma, no entanto, que, devido às incertezas políticas, não é possível falar em crescimento sustentável. Golfarb mantém a retomada em suspeição tam- bém devido ao alto nível de endivida- mento das famílias, às ainda altas taxas de juros para o consumidor, ao ritmo lento da queda da inadimplência e aos riscos na área fiscal, principalmente no que se refere à reforma da previdência. O executivo mostrou-se pouco preocupado com a perda, pela Ford, da quarta posição na tabela de marcas mais vendidas no Brasil para a Hyundai e coma ameaça de perder mais umpos- to, desta vez para a Renault: “Estou mais preocupado com a satis- fação do cliente e, obviamente, com o retorno financeiro. Nem sempre esta- mos dispostos a fazer o que os competi- dores se habituama fazer. Quando uma fábrica atinge capacidade ociosa na faixa de 50%, o custo é brutal. Otimizar essa capacidade vale a pena e tem gen- te que vai aos extremos para fazer isso [por meio de vendas diretas]”. Ele também diz que, na crise, os pro- dutos de entrada, compactos, sofreram mais: “As empresas com menor parti- cipação nesse segmento foram menos afetadas. Na volta do mercado isso ten- de a se normalizar.” É por esses motivos, ensina Golfarb, que “a posição no ranking não é tão cris- talina para medir o nível de competitivi- dade da empresa”. Seja como for ainda não será neste ano que a Ford voltará ao azul na Amé- rica do Sul. Há pouco mais de um ano o então recém-empossado presidente da Ford, o irlandês Lyle Waters, confirmou que a empresa seguia no vermelho no continente. Chegou a cogitar a possibi- lidade de reverter o quadro em 2017, mas disse que a virada chegaria em 2018. Cauteloso e cioso dos números da Ford, Golfarb não especula. Diz ape- nas que bons ventos sopram nas plan- tas da empresa. A participação das vendas diretas tomou proporção que não era prevista

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