AD 338
104 AutoData Outubro 2017 General Motors lhões de consumidores que adiaram as compras. “Caso janeiro e fevereiro tivessem sido diferentes apontaria vendas de 2,4 milhões em 2017, confirmando o crescimento de 10%que projetamos no início do ano. Acredito que fecharemos em 2,2 milhões, pois a partir de março percebemos um crescimento contínuo dos emplacamentos. Mas eu não ficaria surpreso se o resultado for maior por causa dessa demanda, que em algum momento voltará com força”. As estatísticas da GM mostram que 60% a 70% desse contingente não de- sistiu da ideia de comprar um carro novo. E desse grupo quase 20% disse- ram que voltarão ao mercado nos pró- ximos seis meses. Pormenor interessante dessa posição de Zarlenga é que a entrevista foi feita semanas antes de a Anfavea revisar as projeções para 2017, justamente para as 2,2 milhões de unidades, crescimen- to de 7,5% sobre o ano passado, que ele aponta como o cenário mais provável. As condições de temperatura e pres- são para 2018 – leia-se a aceleração do PIB, a taxa Selic mantendo sua trajetó- ria decrescente, o câmbio flutuando no mesmo ritmo deste ano, um cenário político com reformas encaminhadas e menos turbulências e, a mais, o compo- nente otimismo – poderão gerar uma onda virtuosa de crescimento: “A grande pergunta é como evoluirá o otimismo do consumidor. A estabi- lidade econômica e o progresso das reformas podem fazer o consumidor sentir que há um processo de recupe- ração no Brasil e isso poderá gerar um crescimento para 2,4, 2,5 milhões de unidades. Talvez mais”. Para Zarlenga, claramente há um tra- balho a ser feito. “Mas tem que haver muito cuidado para não desacelerar a curva de crescimento. Nosso ponto de vista é claro: não deveríamos ter me- didas de curto prazo na parte fiscal. O caminho é uma reforma agregada de todos os impostos no Brasil”. MERCOSUL– Falando de ummercado integrado no Mercosul Zarlenga espera que se repita no Brasil o mesmo ritmo de reformas que acontece na Argentina. A lógica é a mesma com a qual a GM trabalha agora: “O governo terá um tra- balho nesse sentido. Seria interessante uma atuação emconjunto coma Argen- Estou muito contente com a nova organização. Chegamos a um novo patamar de eficiência e capacidade para dirigir o negócio. tina, um olhando para o outro, porque os problemas econômicos do mercado comum têm que ser olhados juntos”. O executivo discorre sempre baten- do na mesma tecla: regras integradas, estratégias comuns, produtos com as mesmas especificações convergindo para um mercado comum aos dois pa- íses: “O cenário atual me obriga a ter 20%a 25%mais partes de umcarro que deveria caso o produto tivesse a mesma especificação. Isso dificulta o controle do inventário, complica a logística de peças. Podemos ser mais eficientes com ummercado comum”. Líder há dezessete anos consideran- do toda a América do Sul, e com foco total noMercosul, a GMprefere, a partir dessa nova organização, trabalhar com o desempenho do mercado e deixar de projetar produção. Quanto às exporta- ções a partir das unidades brasileiras, por exemplo, sua projeção para este ano é de 92 mil 731 unidades. Já em 2018 o salto será de 30%, com 127 mil veículos exportados. “Nosso foco é continuar crescendo no mercado. E hoje já estamos 5 pon- tos porcentuais à frente do segundo no ranking de vendas.”
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