AD 338

13 Outubro 2017 AutoData Como fechará a indústria em 2017? Dan Ioschpe – Vejo recuperação expressiva, acima das expectativas de meses e até de semanas atrás. Na parcela mais significativa, a de exportação, há um crescimento de 56%, 57%, e no ano passado já tinha crescido 25%. E o mercado doméstico, especialmente a partir de maio, começou a andar. Há uma alteração de volumes em 2017. Para 2018 a gente pode seguir crescendo. Antonio Megale – A gente já projetava o fim da recessão no setor, algo como 4% depois de quatro anos. Tivemos que refazer a previsão: passamos para 7,3%. Mas acho que ainda vamos errar para baixo. A exportação está superando tudo, puxada pela Argentina. Serão mais de 745 mil veículos este ano, a maior exportação de todos os tempos. Para a produção esperamos coisa de 2,7 milhões, número que começa a ficar razoável. Tudo isso com geração de emprego: as empresas aumentam turnos e contratam, o que não acontecia há muito tempo. Em abril forammais de 1 mil postos de trabalho só nas montadoras. E cada emprego emmontadora pode significar dez no entorno. Como o senhor sente essa recuperação nas autopeças? Ioschpe – Depois de perder 40 mil pessoas de nossa força de trabalho, reduzida para 160 mil, projetávamos crescimento de 4% na absorção de pessoas para esse ano. Acho que se aproximará disso. Mas também há crescente automação e mecanização no setor. É normal que agora, na retomada, as empresas busquem a melhor forma de trabalho e a maximização da sua força de trabalho. Como fica a exportação quando o mercado interno voltar a crescer? Megale – Ah, manterá seu espaço! Antes o câmbio não era bom para exportar: se o mercado interno demandasse fazia sentido exportar commargem baixa, até com algum prejuízo, para manter mercado. Hoje mudou. As empresas se reestruturaram e há uma visão, inclusive de governo, de que é F oram anos duros. Desde 2013, sempre que aparecem em públi- co, Antonio Megale, presidente da Anfavea, e Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, têm sido portadores de más notícias e muitas explicações. Produção ladeira abaixo. Queda nas vendas. Corte de investimentos. Demissões, prejuízos... Ainda é cedo para soltar fogos, mas o jogo parece estar virando. Ao menos os números dos últimos meses têm sido mais generosos com a indústria automobilística. Generosos o suficiente para mudar o semblante dos dois dirigentes das mais importantes associações do setor. Os dois parecem aliviados. Confiantes. Pela primeira vez em25 anos de his- tória, AutoData reuniu dois expoentes do setor em uma única entrevista. Com a cautela dos escolados em bra- silidades, Megale e Ioschpe, falaram sobre como foi atravessar a crise e pro- jetaram os próximos anos do setor. Dessa vez, até prova em contrário, as notícias são boas! Projetávamos o fim da recessão no setor com crescimento de 4,6%. Tivemos que refazer a previsão para 7,3%. E podemos estar errando novamente para baixo.

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