AD 338
17 Outubro 2017 AutoData grande questão, até porque o setor se capacitou do ponto de vista de volumes para muito mais do que isso. A palavra adequada para os autopartistas é resiliência. Não vejo desafios afora os de natureza operacional normal. Megale – Ninguém esperava essa queda violenta, e vivemos um novo aprendizado na busca de mais eficiência por uma questão de sobrevivência, das autopeças e das montadoras. Conseguimos montar estruturas menores. Não faremos contratações desnecessárias, utilizaremos a capacidade já existente, o que demanda nível de investimento muito baixo ou quase nenhum. No caso das montadoras o grosso do investimento nos próximos anos será em produtos e não em capacidade. Mais de 40% do mercado brasileiro está apoiado nas vendas diretas. Que mudança de perfil é essa? há espaços para agentes locais e regionais nos diferentes níveis da cadeia. O País tem que pensar na questão da integração e, no caso do Mercosul, temos parceria de 23 anos e o setor automotivo não faz parte. Estamos às vésperas de fazer um acordo do Mercosul com a União Europeia sem que tenhamos realizado a integração do setor. O descolamento da política da economia deve continuar no ano que vem? Megale – Acho que sim. Parece ter havido um cansaço do setor econômico por esperar uma definição política em quadro tão instável. Os agentes e as medidas econômicas trouxeram inflação baixa que permite a redução da taxa de juros, que começa a gerar movimento econômico positivo. Há demanda por reformas política e tributária. E não é questão de um partido: é uma questão fundamental. E como ficará o mercado? Megale – Difícil dizer números, mas terá crescimento no mínimo como o deste ano. De 7% a 8%, com PIB de 0,5%. Com PIB de 2% ou 3% o crescimento do setor será maior. E à medida que os acordos comerciais sejam concretizados, e se não tivermos mudança de rumo na Argentina, o mercado de exportação continuará sendo robusto. Chegaremos a 3 milhões de unidades produzidas em 2018? Megale – Seria crescimento de 10%. O crescimento do ano que vem será no mínimo igual ao desse ano. A nossa projeção é 7,3%. Ioschpe – Há mais mercados sendo prospectados, mais acordos comerciais. Vemos melhoria na questão da competitividade, que é lenta. Esperamos que em 2018, com o fim do Inovar-Auto, tenhamos um nível de importação mais elevado mas não a ponto de não haver crescimento da produção doméstica. Há quem se pergunte se o setor de autopeças está pronto para esta retomada. Ioschpe – Muita gente considerava que as autopeças não estavam prontas para o declínio e tenho a convicção de que cumpriram o seu papel ao passar pelo pior momento da história do setor. Sempre haverá dificuldades pontuais, mas pensando sistemicamente não vemos nenhuma
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