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25 Outubro 2017 AutoData S. Stéfani que forjou a imprensa econômica diá- ria no Pais. Tudo somado, são 47 anos de estra- da automotiva, num total de 52 de jor- nalismo e um tiquinho a mais, nem tão tiquinho assim, de idade. Muita coisa mudou no setor automotivo neste lon- go período. Mas as maiores mudanças aconteceram, de fato, nestes últimos 25 anos e estão, assim, devidamente registradas para a história nas páginas de AutoData. Quando aquela primeira edição de AutoData circulou, a maior parte da indústria de autopeças era de capital nacional e a distribuição de veículos era feita por empresas familiares comfideli- dade total e a uma única marca. E a globalização, então nascente, era algo tão novo que, mesmo no setor, bem pouca gente conhecia o significa- do exato dela. Não foram poucos, aliás, os empresários que perderam tudo por terem demorado para entender seu real significado. Com o tempo, as fabricantes de au- topeças deram lugar aos sistemistas. E raras são hoje as empresas nacionais neste setor. Os concessionários, de seu lado, estão agora reunidos em grandes grupos econômicos, quase todos multi- marcas. É justamente esta camaleônica capa- cidade da indústria automobilística de se reinventar continuamente que sem- pre esteve no centro do projeto editorial de AutoData. Cabe lembrar que como qualquer novo automóvel, caminhão ou ônibus leva de quatro a cinco anos para ser de- senvolvido, o setor automotivo tem a obrigação de projetar como será omun- do a frente, no momento em aquele produto estará efetivamente chegando ao mercado. Fazer a crônica deste setor sempre foi, assim, de certa forma, fazer a crônica não do momento passado ou presente, mas, sim, do futuro. Como muito bem mostrou o livro “A máquina que mudou o mundo”, clássi- co sobre o setor editado peloMIT no iní- cio dos anos 1990, o mundo automoti- vo sempre serviu como um laboratório prático de novos sistemas de produção e de gestão que, depois, por sua eficácia, acabavam sendo incorporados pelos demais setores. Explica-se: como a capacidade de produção global de veículos é sempre maior do que a demanda, torna-se in- dispensável a busca permanente de efi- ciência, reduções nos custos, aumentos de qualidade e produtividade. Há que se considerar, ainda, que nada é mais fácil do que interromper a produção de uma linha de montagem. Se apenas os poucos funcionários que colocam, por exemplo, as rodas nos veí- culos aderirem ao movimento, a linha toda estará parada. Isto faz com que também no que se refere as relações entre capital e traba- lho, o setor automotivo acabou indi- cando quais provavelmente seriam, em breve, em todos os demais setores, as novas formas de relacionamento e/ou de confrontos nesta área. Nesses 25 anos, os últimos dez foram particularmente pródigos em mudan- ças. E nem tudo tem sido flores nestes últimos anos. Na verdade, a partir da crise financeira global de 2008, sobra- ram bemmais espinhos do que flores. A necessidade absoluta das empre- sas de fechar cada trimestre no positivo que passou a valer deste então bateu de frente com a vida de um setor no qual, por definição, o que se colhe hoje é o mero resultado de decisões certas ou erradas que foram tomadas há quatro ou cinco anos. Tal fechamento do foco no curtíssi- mo prazo acabou acontecendo, além disso, justamente num momento de profundas e rápidasmudanças nomun- do como um todo, muitas delas com impacto direto e decisivo na vida e no futuro da indústria automobilística. O desenvolvimento do Uber e con- gêneres, por exemplo, reduziu drastica- mente a necessidade da propriedade de veículos pelos consumidores, enquanto o aquecimento global vem apressando o fim dos motores tradicionais. Ao mes- mo tempo, o novo padrão de conectivi- dade que chegou comos smarthphones mudou radicalmente a forma como os consumidores desejam se relacionar com os veículos, sejam de passageiros ou de carga. E está é, no fundamental, a grande e maior das mudanças. Antes o setor au- tomotivo era a máquina que estava na ponta e mudava o mundo ao mostrar o mapa do futuro. Agora, é o mundo que passa a mudar máquina.

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