AD 338

31 Outubro 2017 AutoData Modernos mosqueteiros Permitam-me ligar a bela história da AutoData Editora com a dos três mosqueteiros. Foram ídolos de minha meninice. Possivelmente os primeiros. Trezentos e cinquenta e sete anos mais tarde, em 1992, a indústria automobilística e o jornalismo brasileiros tiveram a repetição da história dos mosqueteiros. Decididos, com muita coragem e foco no que desejavam fazer, partiram para a incerta empreitada de prestar serviços inovadores que valorizassem o segmento automobilístico. Na época o setor enfrenta- va fase de incertezas e os nossos mosqueteiros, em grupo inicialmente formado por Fred Carvalho, S Stéfani, Sérgio Duarte – pouco depois sucedido por Márcio Stéfani –, e Vicente Alessi Filho lançaram o produto que planejavam como mensagem desafiadora, mas de confiança na indústria automobilística brasileira. O título da edição era um desafio à aposta no Brasil: Senhores, Façam seus Jogos!. Apoiados por informações privilegiadas, obtidas de várias fontes, seguras, ajudaram a mudar a cabeça e o comportamento dos executivos e, além do apoio que a indústria precisava, da revolucionária AutoData inicial surgiram novos produtos, até diários. Invejáveis ideias. Os exemplos de AutoData contribuírammuito para a indústria e, de forma especial, para a valorização dos profissionais, permitindo a eles atualização internacional. Como exemplos menciono apenas alguns: Flávio Padovan, Antônio Megale e Paulo Sérgio Kakinoff. Sem a coragem, a ousadia e a criatividade dos mosqueteiros possivelmente a indústria automobilística estaria ainda atolada, sem forças para ajudar o Brasil a se livrar da crise atual que já está sendo vencida. Hoje esses novos mosqueteiros são alguns dos ídolos dos meus 80 e poucos anos. Luiz Carlos Secco é sócio da Secco Consultoria de Comunicação e foi gerente de imprensa da Ford. Única no que faz e ousa No movediço terreno da cobertura jornalística da indústria automotiva não são muitos os que vicejam e se fazem donos de invejável crédito pela isenção e por fazer ecoar voz que se impõe, audível e impo- sitiva, junto aos dogmáticos núcleos de sua seletiva atenção. Nascida no mais profundo do vale da década perdida, mas já sentindo as esperanças do acordo setorial, AutoData conseguiu se transformar, pela insana ousadia dos seus cavaleiros andantes, os dois Stéfani, Vicente e Fred, numa sala de eco onde percorriam os destrambelhados sons de sinfonia ao mesmo tem- po atonal e mozartiana, mas tão penetrante e hipnótica quanto a que vinha da flauta de um Pan, à qual se rendiam, amassem-na ou não, os animais da selva automotiva. Conta a mitologia helênica, que tem abastecido, desde os tempos semmemória, os cérebros da civiliza- ção ao lado esquerdo do mundo na busca de todos os significados – que o sátiro Pan, por astúcia, foi premiado por Zeus e transformado na constelação de Capricórnio e, dentre os que nascem sob o seu signo, diz-se serem portadores de comportamento cardinal, são senhores do seu tempo e dos seus projetos, fazem da praticidade o seu breviário... e nunca e por nada desistem do que quer que seja. Seria AutoData , que parece ter nascido prematuramente na conjunção de Virgem e Libra, um sátiro da automotiva moderna, onde se conjugam mais de um século de tecnologia e comportamentos gestados pela mobilidade com um tempo novo, quase inimaginável, de uma liberdade que não mais é propriedade de quem quer que dirija um veículo mas de um conjunto de sensores sem alma e sem pudor de qualquer natureza? Ou seria ela, fiel a si própria, sacerdotisa de uma religião que não se extingue nunca – a que entroniza a mais pura simbiose do homem com o automóvel –, como o descreve Guillermo Giucci em seu memorável A Vida Cultural do Automóvel (Civilização, 2004), e os desvarios de gente como Ford, Sloan, Renault, Benz, Agnelli, Ferrari, Toyoda, Honda, Aikawa e outros missionários?! Ouso dizer, ainda que me faltem intelecto e – definitivamente! – sensibilidade única de desbravadores de notícias e tendências, que ela continuará a ser como sempre foi: única, no que faz e ousa. Que bompara quem ama o automóvel e se sente dono de sua própria liberdade... Luiz Carlos Mello, professor, foi presidente da divisão Ford da Autolatina.

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