AD 338
35 Outubro 2017 AutoData no País cabia em uma página comum de revista, sem nem precisar diminuir muito o tamanho da letra. Um pouquinho antes dos anos 90 carro 0 KM, no Brasil, era praticamente exclusividade de rico, que geralmente gabava-se, mesmo que às vezes de for- ma discreta, de possuir carro-do-ano – normalmente idêntico ao do ano an- terior, mudando, quando muito, a cor. O nosso mercado era tão assustadora- mente restrito e custoso que automóvel era visto como um patrimônio familiar. Como referência, em1990 as vendas totais de veículos no Brasil fecharamem coisa de 700 mil unidades. Nenhuma surpresa: o volume ficou dentro da mé- dia registrada nos dez anos anteriores. Não, não existiam veículos importa- dos, exceto um ou outro que chegava por embaixadas e consulados – ver um na rua equivalia a ganhar na loteria, e não menos do que isso. Só que a última década do século passado resolveu botar isso tudo abai- xo, logo de cara. Como uma espécie de aviso do que viria a seguir o Muro de Berlim cedeu em novembro de 1989, e logo depois descobrimos abestalha- dos, de umdia para o outro, sem estudo ou aviso, nomes como Lada, Peugeot, Hyundai, Daihatsu, Renault, Daewoo, Subaru, Citroën, Saab e Mazda. Apren- demos que uma tal de Honda fazia ou- tras coisas além de motos, que a Volvo não era só fabricante de caminhões e ônibus, que existia Toyota além de um Bandeirante. Descobrimos que classe média tam- bém podia comprar carro 0 KM, como não?, mesmo que fosse um com motor 1.0, apelidado popular. Descobrimos que o Fusca, assim como Elvis, nãomor- reu. Descobrimos que existia mundo automotivo igual ao nosso lá fora, via globalização. Descobrimos celulares. Descobrimos uma coisa de computa- dores chamada internet, que fazia uma estranha e danada barulheira quando se conectava. E descobrimos que havia espaço no Brasil para uma publicação jorna- lística tratar do setor automotivo ex- clusivamente sob o ponto de vista da economia e dos negócios: AutoData. Quis assim o destino que esta tal AutoData não só testemunhasse como transmitisse aos seus leitores isso tudo que estava acontecendo, em cenário assemelhado a uma bobagem qualquer como um furacão acompanhado de ter- remoto. Nada mais seria como antes na indústria automotiva nacional, e por fe- licidade, coincidência, acaso, sorte, sen- so de oportunidade, competência ou maluquice, AutoData não só retratou como guiou seus leitores no meio dessa
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