AD 338

38 AutoData Outubro 2017 História real referência em artes gráficas no País. Maluca, mesmo, era a proposta de negócio: AutoData, a princípio, não teria anúncios e sobreviveria exclusi- vamente com a renda obtida por meio de assinaturas. Os custos proibitivos de impressão e distribuição, entretanto, logo mostraram que a ideia era inviá- vel, e a publicação, pela primeira vez em tantas, soube se adaptar à realidade ao seu redor. Começou a aceitar publi- cidade em suas páginas – no começo implorava – mas não largou mão da ideia de identificar-se como newsletter. Assim apenas os anúncios eram colori- dos enquanto as páginas editoriais con- tinuavam a apresentar-se apenas em discretos preto e azul. Esse passo, de qualquer forma, foi importante para o processo de transição para uma verdadeira revista – os custos gráficos não aumentaram nessa etapa porque a impressão já ocorria como a de uma revista totalmente colorida, justamente por causa dos anúncios. A mudança da periodicidade de quinze- nal para mensal também foi passo rele- vante neste sentido. BAR DO ZÉ – Omovimento definitivo, entretanto, veio com a formação de um departamento interno de arte, lá por 1996. Até a edição número 4 o fecha- mento era realizado em birô situado no Centro da cidade, ao lado do Bar do Zé, na esquina das ruas Maria Antônia e Doutor Vila Nova, sob a direção de Ser- ginho Fujiwara e de André Hellmeister. Depois houve curto período de inter- nalização da arte, com a pioneira Gau CB Mattos, mas logo, logo o fechamen- “Pode usar o computador à vontade, mas não apague os joguinhos”. Ignorava este diretor o fato do tal computador estar com a memória lota- da pelos tais jogos, e tambémdo progra- ma necessário para desenhar a revista, na época o Page Maker, demonstrar vigorosa exigência neste quesito. Sem muita alternativa o tal diagramador, como sua primeira atividade profissio- nal no cargo, formatou o HD. O tempo foi passando e aquele computador, com algumas eventuais atualizações de har- dware aqui e acolá, acabou por prestar bons serviços à arte da editora por nada menos do que exatos dez anos. Quando finalmente chegava o mo- mento de uma justa aposentadoria o hercúleo computador foi devolvido ao diretor, que por sua vez o retornou ao filho. No mesmo dia aquele tal diagra- mador, agora já integrado à redação como jornalista, recebeu do pupilo, que passada uma década nem adolescente mais era, um indignado telefonema: “Cara, não acredito que você apagou os meus jogos!”. to acontecia assim: os jornalistas man- davam as matérias para diagramação para a própria Gau via moderníssimo fax-modem. Depois de desenhada, cada página era transmitida por fax e o editor passava, depois, os acertos por telefone: troca essa palavra, ajeita essa linha, ar- ruma esse título. A nova versão vinha de novo por fax e assim a coisa ia. Um processo, naturalmente, de loucos, que usualmente atravessava madrugadas. Lógico que trazer a arte para dentro de casa não foi fácil: nessas alturas a editora já estava instalada em uma bela casa na rua Pascal, no bairro do Campo Belo, São Paulo, mas não havia muito lugar disponível para abrigar a nova área. Optou-se, então, pela cozinha, li- geiramente reformada. O próximo entrave foi o computa- dor. Não havia dinheiro para comprar um– ou o financeiro não queria liberar, vá saber. Então um dos diretores fez acordo como filho pré-adolescente e le- vou uma máquina de sua residência ao contratado diagramador, entregue com uma ordem explícita:

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