AD 338
42 AutoData Outubro 2017 História possuía o menor forno que fosse – algo descoberto a faltar apenas 15 minutos para a chegada dos convidados, cuja lista incluía dois presidentes de monta- doras. Certos de que a única saída era resignar-se e aguentar os xingamentos dos convidados e do cozinheiro con- tratado diante da ausência de comida quente, os dois profissionais de Auto- Data responsáveis pela organização decidiram fumar um cigarro para, quem sabe, suportar melhor o vexame. Ao chamar o elevador viveram cena de Porta da Esperança: abrem-se as por- tas e lá dentro está uma desconhecida com um forno elétrico ideal para as ne- cessidades da festa – e umdesesperado pedido de empréstimo foi atendido de imediato, com extrema simpatia. DIGITAL – De uma vez por mês a uma vez por dia. A soma de maluquice, sor- te e destino sempre deu o tempero necessário às investidas de AutoData em terrenos para além de seu produto principal. Provavelmente a mais bem- -sucedida delas foi a Agência AutoData, nascida em2000. Aqui também, é claro, o signo dos Anos 90 deu as caras. A estruturação da agência surgiu a partir de um pedido dos fundadores de um novo site chamado Panorama Brasil, que se propunha a jornal diá- rio de economia com atuação exclu- siva na internet. AutoData forneceria, com exclusividade, o conteúdo sobre indústria automotiva. Lembrando os tempos de quando o departamento de arte foi criado, um editor e dois repór- teres foram alocados em um banhei- ro reformado. No primeiro mês tudo ótimo. No segundo o pagamento do contrato foi reduzido à metade e, no terceiro, suspenso: sim, era a época da bolha da internet. A coisa poderia ter parado por aí e seria hoje apenas uma vaga e triste lembrança. Em vez disso iniciou-se uma busca por manter viva aquela estrutura e o trabalho que, mesmo re- cente, se mostrava promissor. Nasceu assim o Boletim da Agência AutoData, que atualmente já ultrapassou a edi- ção número 4,5 mil: a venda de assina- turas para uma nova publicação diária distribuída eletronicamente não só salvou a manutenção da equipe e da cobertura jornalística dedicada como ainda trouxe a contratação de uma diagramadora – devidamente instala- da na área de box do chuveiro daquele ex-banheiro. A agência foi uma iniciativa muito importante para a editora por vários aspectos. Um deles foi representar a primeira publicação de AutoData a não usar papel, o que evidenciou uma ima- gem de dinamismo e modernidade que já eram necessária à empresa. Também aproximou muito mais o leitor, antes acostumado a um contato mensal com a revista: agora AutoData era sua com- panhia de todas as manhãs, passando a fazer parte de sua rotina diária. No início, por falta de tecnologias mais elaboradas à época, o boletim era montado e distribuído por e-mail no formato do Microsoft Word mesmo. Era uma produção bem simples e até ingênua, porém muito eficiente. Ali o quemais contava era o conteúdo, e essa missão era atendida com sobras. Prova de que a ideia foi boa reside em sua própria sobrevivência: o Pano- rama Brasil, por exemplo, só prosse- guiu por mais alguns meses. A Gazeta Mercantil, espelho de quase todos os jornalistas e leitores desta área, sucum- biu, assim como muitas publicações especializadas em automóveis e outras
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