AD 338

49 Outubro 2017 AutoData adiaram a compra de um carro novo. “Estamos numa estrada sinuosa, mas com o pé no acelerador”, sintetiza Wil- son Lirmann, presidente da Volvo Latin America. POLÍTICA X ECONOMIA – O Bra- sil vive, hoje, de fato, duas realidades opostas e, mais que isto conflitantes, o que dificulta sobremaneira projetar ce- nários para 2018. Na esfera política, deputados, sena- dores e empresários de alto coturno estão sendo presos por corrupção e formação de quadrilha, outros tantos ainda estão em julgamento e o próprio Presidente da República tem a conti- nuidade de seu mandato colocada em dúvida pela segunda vez em menos de seis meses. Tudo isso há apenas pouco mais de um ano do impeachment da Presidente anterior. Na área da economia, em contrapar- tida, a inflação está abaixo da meta, a Selic segue em um dígito, os juros estão declinantes, os empregos com carteira assinada começam a mostrar alguma recuperação e, sobretudo, o PIB acaba de fechar dois trimestres seguidos no positivo, o que formalmente coloca um ponto final numa recessão que se esten- dia já por três anos. Com relação ao futuro da economia, o Banco Central acaba de aumentar para 2% a projeção de crescimento do PIB para 2017, com inflação ainda abai- xo dameta, Selic emumdígito e câmbio estável, empatamar semelhante ao des- te ano. Cenário de um equilíbrio como há muito não se via. Em contrapartida, na esfera política, apenas incertezas: as regras para a elei- ção presidencial de 2018 continuam in- definidas, a reforma política permanece empacada e não há como saber, com maior dose de certeza, quem poderão ser os candidatos de cada partido. Como complicador adicional há ainda o fato de que o Inovar-Auto, o programa que hoje regulamenta a vida do setor e que está sendo questionado pelaOrganizaçãoMundial de Comércio [OMC], já entrou em seu período final de vigência. E, por falta de consenso dentro do governo e do próprio setor, o Rota 2030, que o substituirá a partir de janeiro, entrará em vigor ainda com varias indefinições e incertezas. É exatamente em meio a estes múl- tiplos cenários opostos e contraditórios que montadoras, sistemistas, fabrican- tes de componentes, concessionários e importadores tem de cravar suas res- pectivas apostas em relação ao que se pode esperar da vida do setor em 2018 e anos seguintes. Projetar o futuro nunca é tarefa fácil. Mas, desta vez, convenhamos, até para um país como o Brasil, que tem na ins- tabilidade uma de suas maiores marcas registradas, o padrão de dificuldade está um pouco demais. É compreensível, assim, que o resul- tado da consulta de AutoData aos prin- cipais executivos de toda a cadeia auto- motiva sobre as perspectivas para 2018 tenha indicado ainda algum temor em acreditar na força da retomada, um cer- to medo de ser feliz. Mesmo com um olho na economia e outro na política, ninguém, absoluta- mente ninguém, fala em risco de novas Em adição a tais fatores de natureza mais macro, há outro ponto, este bem específico do setor, que merece ser le- vado emconta: pesquisas realizadas em julho pela General Motors indicaram que há demanda reprimida da ordem de dois a três milhões de consumidores que adiaram a compra nos últimos três anos. Importante: Carlos Zarlenga, pre- sidente da empresa, especifica que, des- te universo, 60% a 70% são consumi- dores que não desistiram, mas apenas

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