AD 338
Perspectivas 2018 52 gurança dos consumidores em relação ao futuro e, assim, bem ao contrário do que aconteceu, as vendas deveriam ter ficado bemmais difíceis. Tanto de auto- móveis, quanto de veículos comerciais. REFORMAS ESTRUTURAIS – Além disso, no bojo da crise política, as cha- madas reformas estruturais na área trabalhista, tributária e previdenciária, tidas como fundamentais para dar base sólida para a face econômica do País, atrasaram, foram desfiguradas ou nem saíram ainda do forno. Mais inseguranças com relação ao futuro. Neste contexto, o que os empresários e executi- vos do setor têm, agora, de concreto, para apoiar suas projeções para 2018 são suposições em relação as quais teriam sido os reais motores da retomada das vendas de ve- ículos a partir de março, qual o peso específico de cada um deles no resultado final e, sobretu- do, qual sua capacidade de manter sua influência positiva tambémao longo do próximo ano. No alto da lista de tais motores apa- rece, com destaque, a relativa estabili- dade na área do emprego e o início do processo de retomada das contratações com carteira assinada a partir de abril. “Quando você está vendo os seus cole- gas indo embora, fica apreensivo, mas quando começa a ver as cadeiras vazias sendo preenchidas, a segurança come- ça a voltar”, diz Megale. E, conforme lembra Luiz Montenegro, presidente da Anef, essa é uma condição essencial para a retomada do mercado. “Nin- guém toma crédito ou empresta se não houver confiança no futuro”, diz. Também teve peso determinante a redução do endividamento das famílias a partir da liberação, no primeiro semes- tre, de parte dos recursos que estavam retidos no FGTS. A redução da inflação, de seu lado, também representou, por vias indiretas, redução da pressão men- sal sobre o orçamento doméstico destas mesmas famílias. E a queda das taxas de juros, por sua vez, representou relativo aumento de poder de compra para os consumidores de produtos, como os veículos, cuja venda, em geral, está atre- lada a operações de financiamento. Para fechar o quadro, depois de meses e meses seguidos de novas de- núncias, julgamentos, condenações, prisões e operações da Polícia Federal envolvendo políticos, empresários e executivos de elevada estrutura, o tema, apesar de permanecer nas manchetes do noticiário, parece ter reduzido sua capacidade de impactar negativamen- te as decisões de compra das famílias e dos consumidores de forma geral. São fatores, todos eles, com boas chances, de fato, de manter sua influên- cia positiva tambémem2018. É genera- lizada, no setor, a projeção de que infla- ção, juros e câmbio deverão se manter estáveis no próximo ano, com mínimas variações em relação ao que está sendo registrado neste ano. Quanto à questão do emprego, mon- tadoras e sistemistas projetam, desta vez, recomposição ainda que parcial Ninguém toma crédito ou empresta se não houver confiança no futuro Luiz Montenegro, presidente da Anef AutoData Outubro 2017
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