AD 338

60 AutoData Outubro 2017 Abeifa A participação dos importados nas vendas de veículos no Brasil, que chegou a 6%, hoje mal passa de 2%, também conforme dados da Abeifa. Culpa da crise? Evidente. Mas o Inovar-Auto tem grande responsa- bilidade na enorme queda nas ven- das de carros importados no período, segundo a Abeifa. O programa, lançado pelo governo federal em 2012, limita a importação por empresa em 4,8 mil veículos por ano e, acima dessa cota, incide IPI extra de 30 pontos porcentuais. A medida, criada para proteger e in- centivar a indústria nacional, pratica- mente tornou inviáveis os negócios – como mostram os números. ANOS TERRÍVEIS – “Vivemos anos terríveis. Foi muito difícil sobreviver”, resume José Luiz Gandini, presidente da Abeifa. “O IPI para carros fora da cota não é um imposto, é uma trava, porque se eu colocar isso no preço eu não vendo o carro, ninguém paga”. Dito isso fica evidente que o fim do Inovar-Auto, confirmado para 31 de dezembro, é a melhor notícia que os importadores de veículos poderiam ter para projetar 2018. “Finalmente vemos um futuro me- lhor lá na frente”, diz Gandini, que também é presidente da Kia Motors, maior importador de carros do Brasil. “Reduzi margem de concessionário, cortei propaganda, mandei funcio- nário embora de monte, diminui o tamanho da empresa.” Gandini projeta crescimento de quase 50% nas vendas do seg- mento em 2018, de 27 mil para 40 mil unidades. Boa parte desse acréscimo se dará dentro de sua casa: “A Kia deve crescer de 10 mil para 20 mil. Hoje estou perdendo venda porque não tenho carro por causa da maldita cota”. Até o fechamento desta edição, não se sabia se a tal cota e os 30 pon- tos extras de IPI seriam herdados pelo Rota 2030, o programa de longo pra- zo para o setor que começa a vigorar em 1º de janeiro. Mas Gandini adver- te que o possível fim do IPI extra não reduzirá os preços: “O Rota 2030 precisa trazer previ- sibilidade para a economia. Previsibi- lidade é a palavra-chave. Não pode mudar as regras do jogo no meio do caminho. Já vivemos muito sobe- desce de IPI”. O empresário conta que o Rota 2030 contou com amplo debate e teve a participação assídua de mais de sessenta representantes da cadeia automotiva: “O polo produtivo bra- sileiro terá plenas possibilidades de conquistar maior competitividade in- ternacional sem, no entanto, aniqui- lar a atividade de importação”. Ele acredita que a economia tende a se descolar da política mas mostra- se preocupado com a falta de força do governo federal para aprovar a reforma da previdência, considerada por ele fundamental para o Brasil en- contrar a estabilidade em 2018. O Rota 2030 precisa trazer previsibilidade para a economia. Previsibilidade é a palavra-chave. Já tivemos muito sobe-desce de IPI.

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