AD 338

63 Outubro 2017 AutoData político instável: “O mais importante é que a curva de juros no futuro mostra tendência de queda ou de estabilidade para o ano que vem”. Essas condições serão essenciais para a retomada do mercado – pois ninguém toma crédito ou empresta se não houver confiança no futuro: “É esse quadro, que vem se estabilizando, que proporcionará o volume de R$ 100 bilhões para financiamentos”. Montenegro lembra que, de 2016 até o início deste ano, havia muitas incertezas, deixando o mercado “des- favorável” para a concessão de crédito. Com a inadimplência em níveis altos os bancos estavam muito restritivos na aprovação de novos empréstimos. Por isso, afirma ele, houve uma re- dução para 50% das vendas por meio de financiamentos – quando especia- listas afirmam que o ideal é que ape- nas 30% das compras de veículos se- jam realizadas à vista. Historicamente, no Brasil, a taxa de financiamento re- presenta 60% do volume de vendas. Com a recuperação gradual do am- biente favorável Montenegro acredita no potencial de crescimento do mer- cado financeiro brasileiro: “A partir de agora os bancos já começam a rever a política de seletividade, aumentando aos poucos a concessão de crédito”. ERROS – De acordo com o presidente da Anef o mercado financeiro também aprendeu muito com a crise que gerou queda de quase 10% do PIB do Brasil nos últimos anos. Para ele o sistema fi- nanceiro não deverá, nunca mais, con- ceder crédito para compra de veículos em sessenta, oitenta parcelas: “Isso foi um processo de aprendiza- do. Percebemos que houve um endivi- damento das famílias, que perderam a capacidade de pagamento, levando a um quadro de inadimplência. O ce- nário se agravou com aumento do de- semprego, alimentando mais a crise”. Para Montenegro, Isso nunca mais deverá acontecer no Brasil, pois os bancos e as financeiras entenderam que empréstimos de longo prazo pro- vocam bolhas de consumo, tirando a sustentabilidade do mercado. A Anef entende que o crescimento tem de ser sustentado: “A nossa con- vicção é a de que a recuperação tem que ocorrer de forma lenta e gradual, sem sobressaltos”. Para ele nem o mer- Há uma demanda reprimida. Será importante dobrar o valor dos recursos disponíveis para financiamento. cado interno de veículos nem a con- cessão de crédito crescerão de forma rápida e desordenada. Com a economia mais estável a Anef acredita que é factível atingir no- vamente o índice de 60% do financia- mento de veículos novos licenciados: “Existe crédito, a economia está me- lhorando e a demanda vem aumen- tando em bases mais sólidas do que no passado”. Montenegro afirmou que, com a queda da inflação e da taxa Selic, tam- bém está ocorrendo uma diminuição dos juros cobrados sobre os veículos. Com base no último comparativo dis- ponível Montenegro diz que, em julho de 2016, a taxa média de financiamen- to era de 4,6% ao ano. Em julho de 2017 essa mesma taxa chegou a 4,2%. Por todo esse cenário favorável Montenegro reforça a ideia de que a curva futura aponta para uma melhora significativa do crédito nos emprésti- mos de veículos. Com a queda da infla- ção e a consequente redução da taxa Selic o ambiente deve ficar ainda mais favorável, criando um novo ciclo vir- tuoso para a indústria automobilística e para o mercado financeiro.

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