AD 338
79 Outubro 2017 AutoData demitiu porque não tem dinheiro para pagar as rescisões”. De acordo com ele a Agrale, assim como quase todas as empresas do se- tor, não repôs saídas de funcionários e reduziu o quadro gradualmente até chegar à metade da força de traba- lho de 2014, “mas temos um quadro qualificado e treinado do qual não podemos abrir mão. Compensamos reduzindo investimentos e adotando outras ações internas”. CAIXA REDUZIDO – Mesmo apli- cando uma administração financeira conservadora a situação exauriu o cai- xa da companhia: “Não há empresa que reduza a re- ceita em dois terços e continue ope- rando de forma rentável. É uma difi- culdade que estamos enfrentando e resolvendo junto ao sistema financei- ro por meio do reescalonamento do perfil das dívidas”. Outra medida é a alienação da área onde está a Fundituba, fabricante de fundidos do grupo, em Indaiatuba, SP. Zattera assegura, no entanto, que a Agrale sairá da crise mais competi- tiva e mais enxuta. Essa condição será fundamental para a empresa manter os planos de atuação no Exterior, res- ponsável por 25% do seu faturamen- to bruto. Mercados como da América Latina, África e Golfo Pérsico são os de maior potencial. A preocupação é que o contínuo enfraquecimento do dólar no Exterior, combinado com a aprovação de reformas no Brasil, force uma relação cambial abaixo de R$ 3. Zattera aponta, ainda, outro proble- ma: “Emalgummomento terá de haver realinhamento de custos das matérias- primas. Com a melhora do mercado os aumentos certamente virão”. Se por aqui a situação está compli- cada a fábrica da Argentina é um mo- delo de resultados positivos. Em 2017 o faturamento deverá crescer 18%, de US$ 75 milhões a US$ 80 milhões: “Nossa marca já está em 50% da frota de ônibus circulante em Buenos Aires. Estamos levando novas tecnologias para lá”. Para Caxias do Sul uma das ações contempla a reestruturação das opera- ções, que serão transformadas em cen- tros específicos. Também há projetos em vista para novas parcerias, como a firmada com a Foton, para a produção de caminhões, e a incrementação de serviços de usinagem para terceiros. Dos três setores em que a Agra- le atua, Zattera vislumbra melhores resultados no segmento de tratores, que cresceu 16% até agosto depois de acumular 45% de queda nos três anos anteriores: “O agronegócio sempre es- teve bem, com safras recordes e bons preços de commodities. Caiu porque faltou confiança e pela seletividade dos financiamentos pelos bancos”. Com a possibilidade de a safra agrí- cola dos Estados Unidos não corres- ponder ao previsto o executivo acre- dita ser possível, em breve, voltar ao patamar de vendas domésticas de 50 mil tratores. Os sinais lentos e sutis de melhora na atividade produtiva dos últimos meses tendem a ser mais robustos em 2018
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