AD 339
46 AutoData Novembro 2017 Lançamento de finanças, área na qual faz carreira no Grupo VW desde 1989. Tarefa cumprida, passou o bastão para o argentino Pablo Di Si, também um sujeito de finanças – mas as seme- lhanças praticamente acabam aqui. Apenas mais uma pode ser citada: as- sim como Powels, Di Si também tem experiência profissional prévia no Bra- sil. Ele já ficou baseado em São Paulo, Belo Horizonte, MG, e Curitiba, PR, com algumas idas e vindas no meio do caminho de 2000 a 2008. Mas nunca pela Volkswagen, diferentemente de Powels, que ocupara posto de vice- -presidente de finanças e estratégia da filial brasileira de 2002 a 2006. É aqui que reside definitiva diferen- ça do antigo para o novo presidente. Di Si, o executivo agora incumbido de vender Polo, não iniciou carreira na Volkswagen, ao contrário de Po- wels. Aliás, nem mesmo na indústria automotiva: seu currículo começa por Monsanto e Kimberly-Clark, nas quais somou quase setes anos de serviço antes de se juntar ao Grupo Fiat em 2006. Na VW, por sinal, está há ape- nas três anos e pouco. SEM GRAVATA – E dispensa gravata, gesto no qual inclusive foi rapidamen- te copiado por alguns colegas do co- mitê executivo. No Grupo Fiat um de seus princi- pais trabalhos foi coordenar o come- ço de tudo da fábrica de Goiana, PE. E dizem que conhece melhor alguns se- gredos daquela região do que alguns locais. Aprendeu muito, asseguram outros, com Cledorvino Belini. Em resumo é executivo bem dife- rente do que se está acostumado para um perfil de presidente Volkswagen. Que não cursou o que poderia se cha- mar de escola Volkswagen, e nemmes- mo a escola alemã de administração. E este é o segundo sinal de que a empresa se esforça, sim e de fato, para ser mesmo uma nova Volkswagen. 19 LANÇAMENTOS ATÉ 2020 – A Di Si caberá, ao menos em tese, apre- sentar e vender, e vender bem, nada menos do que mais dezenove lança- mentos por aqui até 2020: quatro são MQB sendo que o próximo é o sedã Virtus, em janeiro, conforme revelou o próprio executivo em palestra durante o Congresso AutoData Perspectivas 2018, sua primeira aparição pública. Ali ele conversou com AutoData e afirmou não acreditar ter sido escolhi- do para o cargo por carregar este perfil pouco convencional no universo VW. Considerou apenas ter sido “muito bem acolhido e recebido” e ponde- rou entendimento que importa não exatamente a herança cultural de cada executivo, mas a “capacidade de enfrentar os desafios no negócio”. E, ao tentar calcular quantos destes há na VW do Brasil que agora lhe che- ga às mãos, estima que são “muitos, e motivados temos mais possibilida- des de vencer”. Como missão primordial elenca “levantar a Volkswagen para onde ela merece estar”, em um claro sinal de que considera a posição atual inacei- tável e que a retomada da liderança perdida já há bastante tempo é algo que almeja, mas que, hoje, é sonho distante que precisa ser galgado de- grau a degrau. ZAGUEIRODOHURACÁN– Sua es- colha, está claro, será jogar no ataque: “Participação de mercado e lucro vêm de vender carros”, simplifica. Esta colo- cação é particularmente interessante vinda de Di Si por representar muito mais um raciocínio de executivo cria- do em área comercial do que de finan- ças, o que não é absolutamente o caso. E também por contradizer outra baga- gem do executivo, que quando mais jovem jogou futebol na Argentina, na categoria de base do Huracán, time de Buenos Aires: nos gramados ele era za- gueiro, e não centroavante. Talvez acostumado às buscas de manchetes pela turma da imprensa esportiva argentina da época, Di Si enfrentou sem grandes problemas uma roda com cerca de dez jornalis- tas especializados em indústria auto- mobilística após sua apresentação no Congresso AutoData. Durante cerca de meia hora falou em bom português sobre variados te- mas, como carros elétricos, mercado brasileiro, uso da capacidade instala- da e congêneres. Ou seja: sua primeira aparição pública ocorreu apenas dez dias depois de assumir oficialmente o cargo, enquanto Powels levou meses e meses para fazê-lo quando recebeu a presidência. É o terceiro sinal da Volkswagen que- rendo ser, de fato, uma nova Volkswa- gen. Até agora parece que as mudanças que vêm por aí são radicais.
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