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12 FROM THE TOP » CARLOS ALBERTO OLIVEIRA ANDRADE Abril 2018 | AutoData O médico Carlos Alberto Oli- veira Andrade, ou simples- mente Caoa, sigla que dá nome à sua própria empre- sa, é uma das figuras mais conhe- cidas e controversas da indústria automotiva nacional. E, sem dúvi- da, hoje é também o empresário mais bem-sucedido em sua ati- vidade quando colocado lado a lado comoutros contemporâneos, como José Luiz Gandini, Eduardo Souza Ramos e Sérgio Habib. Os quatro traçaram caminhos muito semelhantes: nasceram na distribuição e depois buscaram caminhos para se tornarem fabri- cantes. Em algum momento ou de alguma forma todos os quatro alimentaram seriamente o sonho de fazer nascer umamontadora le- gitimamente nacional, mesmo que a partir de tecnologia de marcas globais. E Caoa garante que com a parceria fechada com a Chery este sonho será realizado. Nesta entrevista a AutoData , concedida com exclusividade em sua própria residência, no bairro dos Jardins, em São Paulo, algo raríssimo – a última fora em 2014, para a revista Exame, da Editora Abril – ele contou abertamente toda a história de como se desen- rolaram as longas e tensas nego- ciações com a montadora chinesa, além de revelar como ficam agora suas relações com a Hyundai e muito mais. Entrevista a Leandro Alves e Marcos Rozen A maior operação do Doutor Carlos com a Foton, que também queria fazer negócio conosco. E porque não houve negócio comaGreat Wall? O negócio chegou a avançar bastante, mas aí eles tiveramproblemas na Europa e tiveram que recuar. Na China estavam bemaceitos, então se concentrarammais no próprio mercado interno. Aí eu fui pra BAIC, que possui uma joint-venture com a Hyundai na China. Eles queriam fazer uma fábrica no Brasil conosco, 50%-50%, com desenvolvimento conjunto, seria muito bom. Mas quando nós falamos com a Hyundai a respeito eles responderam ‘de jeito nenhum’. E a Hyundai ofereceu algo em troca? Sim, foi quando fiz um acordo mais forte com eles, para elevar o volume de pro- dução em Anápolis. Eles disseram que queriam crescer com a gente. O plano original inclusive era fazer uma joint-ven- Como começaram as conversas com a Chery? Eu andava procurando uma marca chi- nesa para me associar desde 2010, 2011, quando a Hyundai decidiu construir uma fábrica aqui no Brasil e percebi que os negócios seriam divididos. Eu tinha que me preparar para o futuro. As primeiras conversas foramcoma BYD, e chegamos a negociações bemavançadas. Conheci o dono da BYD, fui à casa dele na China. É um camarada fantástico, ele gostou muito de mim e eu gostei muito dele, mas eles estão muito ligados à ques- tão do carro elétrico e ainda não era a época, eram carros mais caros, não deu certo. Depois conversei coma GreatWall e também evoluímos bastante nas con- versas, eles eram pequenos mas esta- vamcrescendo, montando duas fábricas de 800 mil carros cada, uma ao lado da outra, parte de plano para chegar a 2,5 milhões unidades produzidas em 2015. E na mesma época conversamos ainda
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