AD 343

14 FROM THE TOP » CARLOS ALBERTO OLIVEIRA ANDRADE Abril 2018 | AutoData ture conosco, mas emummomento eles falaram ‘você temque continuar comseu negócio e nós temos que fazer o nosso’. Foi quando decidiram fazer a fábrica de- les [a unidade da Hyundai emPiracicaba, SP], mas aomesmo tempo eles queriam fortalecer a minha fábrica também. Nesse plano original então a CAOAé que produziria o HB20? Em tese sim. As coisas foramcaminhando mas, como passar do tempo, não aconte- ramda forma que eu esperava. AHyundai queria ser a terceira marca do mercado brasileiro e elesme perguntaramquantas unidades seriam necessárias para isso. Respondi que se a CAOA chegasse a 150 mil/ano e a Hyundai a 250 mil/ano a gente tranquilamente seria o segundo ou o terceiro. Eles disseram: ‘É isso que queremos e é o que vamos fazer’. Fiquei muito animado, mas nada acontecia na prática. Foi aí que a Chery entrou na história? Sim. Já tínhamos conversado anterior- mente, eles tinham me procurado uma vez porque queriam que eu fosse dis- tribuidor dos produtos da fábrica deles [Jacareí, SP], mas não vingou. Eu já estava chateado coma coisa toda coma Hyun- dai, e eles chegaramaqui bemdispostos a negociar, oferecendo sociedade. Dis- seram ‘Topamos tudo, se quiser mandar na fábrica pode, se quiser ser majoritário aceitamos’ etc. As conversas foramevo- luindo e o assunto ficoumuito sério. Então comuniquei à Hyundai que faria negócio com eles. E como foi a reação? Foi boa, não foi ruim, disseram ‘Tudo bem’. A princípio raciocinaram que com isso poderiam tomar conta de tudo da operação aqui, mas à medida que a coi- sa ia andando perceberam a realidade, descobriram o que a Chery estava de- senvolvendo... então fizeram uma carta me autorizando a fazer o negócio, por- que não tinham outra saída, mas com diversas restrições. Como foi o processo da assinatura do contrato com a Chery? Na época eu ainda quis pensar umpou- co mais. Em outubro de 2016 fui para a China e também marquei uma reunião na Coréia coma Hyundai. AChery come- çou a querer fazer negócio de qualquer maneira, 50%-50%. A gente ficava com a presidência e eles com o financeiro, ou podíamos trocar. Todos os executivos seriam escolhidos em comum acordo, era um modelo de negócio muito inte- ressante, semchance de atrito. Emmarço de 2017 o pessoal da Chery veio para o Brasil fechar o negócio. Mas quando li o contrato havia uma série de coisas que não concordei. Li tudo a fundo e disse: ‘Não assino não’. E o pessoal da Chery ficou louco, porque eles nunca se des- locam da China, vieram de lá e eu não assinei. Houve umestresse violento. Eles ainda cederam muito na hora, mas não tudo o que eu queria. No dia seguinte marcamos uma reunião na CAOA e eles não apareceram. Eu fui até o hotel onde eles estavam e conversamos. Disseram que entendiam os meus argumentos, mas que os termos deveriam ter sido vistos antes. Eu disse ‘Olha, eu tô dis- posto a fazer negócio com a Chery mas não nessas condições’, e eles falaram ‘se não fizermos negócio agora não faze- mos nuncamais’. Aí eu só respondi: ‘Então não fazemos nunca mais, tá encerrado o assunto’. O que tanto o incomodou nos termos desse contrato? Eu queria fortalecer a minha fábrica de Anápolis com produtos, e ao mesmo tempo fortalecer a de Jacareí. As duas “Li o contrato a fundo e disse: ‘Não assino não’. O pessoal da Chery ficou louco da vida, porque eles nuncam se deslocam da China e vieram de lá para fechar negócio.”

RkJQdWJsaXNoZXIy NjI0NzM=