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9 AutoData | Julho 2018 Sugestões, críticas, comentários, ofensas e assemelhados para esta coluna podem ser dirigidos para o e-mail vi@autodata.com.br MODERNICES “Ah!!!! A companhia dispõe, agora, de políticas de compliance”, me contou, muito entusiasmado, executivo de alto escalão. “Agora fica claro, para todos, até onde podemos ir e com que ferramentas. Todos sabem como se comportar diante de circunstâncias que surgirem.” Dedicaram-se ao tema compliance por mais de ano os variados graus de gestão daquela empresa e mais um ponto do politicamente correto foi conquistado. Poucos anos depois surgem as notícias: ações com cheiro de fraude, vendas atravancadas, qualidade discutível, acertos com fornecedores com evidências de pêéfe, crise nas relações internas, gestão em luta aberta, supersalários, concorrência infernal por promoções, resultados a qualquer custo. Por último: a crise que já separava supervisores, gerentes e diretores chega ao chão-de-fábrica. MODERNICES 2 Mas... e o compliance, que previa respostas prontas para todas as perguntas? Pois é. O que deveria ter sido a ação a partir de regulações internas escolhidas pela própria empresa, não conseguiu fazer dela um lugar melhor. Procurei entender o processo de descida da ladeira e não me surpreendi ao perceber a força da relação do fator humano com o poder: o compliance valia para os muitos lá de baixo e nada para os figurões cá de cima. Ou seja: essas políticas, quando não respeitadas pelo todo de uma companhia, são uma excelente receita para o desastre – e comprometem seriamente o resultado. REFERÊNCIAS DISTINTAS Durante o Seminário AutoData Revisão das Perspectivas, realizado na última semana de junho em São Paulo, foi flagrada conversa de diretor de montadora com um seu concessionário. Após cumprimentos o revendedor reconhece que não entende as reações à realidade da economia e da política no País: o movimento em sua loja dos Jardins perdera, em dois meses, 40% de fluxo, e sua loja da Zona Leste perdera apenas 5%. REFERÊNCIAS DISTINTAS 2 O concessionário creditou as posturas diferentes à qualidade de informação dos dois públicos. O dos Jardins, receoso com o futuro que enxerga à frente, tirou certo tipo de consumo da sua cesta de necessidades. E o consumidor da Zona Leste da cidade, em tese mais mal informado, não sentiria seu emprego em risco e, em consequência, mantinha seus planos de compra de carro 0 KM. REFERÊNCIAS DISTINTAS 3 Provavelmente o cerne da questão seja a interpretação das informações divulgadas por diversos meios em nosso dia a dia. Alta do dólar, por exemplo, breca vendas nos Jardins e não diz muita coisa ao morador dos bairros da Zona Leste, corrida presidencial até agora sem perspectivas constrange comércio de carros nos Jardins mas ainda não sensibiliza o futuro do consumidor da Zona Leste.

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