AD 349
107 AutoData | Outubro 2018 “Jamais esperávamos reação com esta intensidade. Superou toda e qualquer expectativa.” José Antônio Fernandes Martins, da Fabus Fechamento 2019 PIB 3% 1 US$ = R$ 3,70 a R$ 3,80 Selic 7% a 8% Inflação 3,9% a 4% Com base nos volumes acumulados o dirigente agora projeta como resultado final para 2018 produção próxima a 21,5 mil unidades, mercado interno de 16,3 mil a 16,5 mil e mais 5,2 mil em exportações. Para 2019 Martins calcula alta de 15% a 20% na produção, chegando perto das 25 mil unidades, reaproximando-se de 2014, quando o setor produziu 27 mil 967 carro- cerias. Omercado interno deverá avançar 20%, para perto de 20 mil unidades, e as exportações de 10% a 15%, na casa de 5,7 mil embarques. Há diversas bases a sustentar o cres- cimento estimado para 2019. Uma delas é o Caminho da Escola, que licitou 6 mil ônibus em 2018 e só a metade foi entre- gue. O Refrota, gerido pela Caixa, tem R$ 3 bilhões para financiar compra de veícu- los urbanos e sofreu atraso este ano por causa da burocracia e da reestruturação das vice-presidências da instituição. Ainda assim, segundo Martins, respondeu por 1 mil unidades. O valor disponível, calcula, permite a compra de até 8 mil ônibus. Além disso, com a drástica queda nas compras dos últimos anos, a frota envelhe- ceu, resultando em aumento nos custos com a manutenção, o que ameaça a ope- ração: “As empresas estão se obrigando a renovar porque o urbano é um veículo que se desgasta mais rapidamente em função do uso contínuo e das condições da infraestrutura”. Nos rodoviários, que praticamente du- plicaram vendas em 2018, as operadoras interestaduais precisam adquirir em torno de 2 mil unidades/ano até 2021 para aten- der compromisso com a ANTT, Agência Nacional de Transportes Terrestres, de redução da idade média da frota de 9,8 anos para 5. “Independentemente de quem for elei- to presidente temos programas e deman- das que sustentarão o crescimento do setor em 2019. Mas é certo que teremos de dialogar para encontrar alternativas visando ao futuro: parcerias público-pri- vadas serão necessárias para recompor e modernizar a infraestrutura.” Nas exportações a expectativa de crescimento deve-se à variação cambial. Segundo Martins o Brasil recuperou mer- cado nos últimos anos porque seu preço ficou mais competitivo. Ele acredita que a relação atual, na casa de R$ 4, é pontual e não deve se manter: “Acredito que ficará na faixa de R$ 3,60 a R$ 3,80. E até R$ 3,50 o setor consegue ser competitivo no Exterior”. Para Martins o próximo governo, ne- cessariamente, terá de fazer as reformas da previdência, tributária, política e admi- nistrativa: “Sem isso o País não crescerá”. Martins não acredita em desestrutura- ção econômica e financeira, com dispa- rada da inflação, da taxa Selic e do dólar, como ocorreu na Argentina. O que pode trazer problemas, diz, são as disputas co- merciais das grandes potências, como Estados Unidos e China: “Caso percam espaço nomercado estadunidense é certo que os chineses procurarão saídas. E o Brasil é uma delas”.
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