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10 » LENTES Dezembro 2018 | AutoData ALIANÇA ENTERRADA Nestes últimos dias de novembro, e sobre a denúncia contra Carlos Ghosn, de fraude fiscal e usufruto pessoal de dinheiro da Nissan, o panorama visto da ponte mostra o cenário do gaijin que foi tolerado até que a companhia apresentasse melhores resultados anuais até do que os de sua sócia mais antiga, a Renault, e que já poderia ser descartado. É sabido que Ghosn entronizou o revival da Nissan, tirou-a do lodo da falência. Agradeceram muito e até o elevaram à condição de herói de mangás. Mas simplesmente não gostam dele, acreditam fontes do setor automotivo – a Nissan, depois de dezenove anos surfando ondas mais do que satisfatórias, teria tomado a decisão de se livrar do sócio incômodo. É verdade que há duas acusações fortes contra Ghosn, algo que certamente será compreendido mais adiante quando o processo se desenvolver. Mas chamou a atenção dos observadores o fato de que o presidente Hiroto Saikawa, seu sucessor na direção da companhia, nem cogitou conceder-lhe a indulgência da dúvida: aceitou sem discutir a conclusão da promotoria que trancafiou Ghosn. Ou seja: jogou-o aos tubarões – circunstância em que a atitude da Renault foi infinitamente mais sóbria. ALIANÇA ENTERRADA 2 É um paradoxo pois Saikawa era considerado, no mundo interno Renault Nissan Mitsubishi, contam fontes, o delfim de Ghosn, o seu sucessor, num processo de fusão das empresas previsto para estar azeitado até dezembro de 2020. Talvez, presume outra fonte, o mundo interno Nissan tivesse outros planos. Outro paradoxo que une opiniões unânimes das fontes é sobre as razões de Ghosn para, supõem, ludibriar leis do Japão e as melhores práticas empresariais. ALIANÇA ENTERRADA 3 Muitas dessas respostas provavelmente poderão ser encontradas nos mais baixos desvãos do fator H, de humano, alega uma das fontes, bastante próxima dos fatos. Carlos Ghosn seria o espelho da vergonha para o orgulho da companhia, e já era a hora de se livrar do sócio indesejável, a Renault. Pois, para fontes mais próximas de Paris, a atitude da companheira de Aliança “beira a uma autêntica rasteira a bordo de atitudes precipitadas” – que simplesmente não dispõem caminho de volta. Ou seja: a ideia da Aliança estaria definitivamente enterrada. Por Vicente Alessi, filho Sugestões, críticas, comentários, ofensas e assemelhados para esta coluna podem ser dirigidos para o e-mail vi@autodata.com.br Acervo MIAU Museu da Imprensa Automotiva
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