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15 AutoData | Fevereiro 2019 “Durante a fase final de aprovação do Rota 2030 houve a discussão sobre incentivos locais, o que foi um erro estratégico muito grande. A indústria perdeu credibilidade.” muito de produzir aqui para exportar para a América Latina, mas com as regras atuais é quase impossível. AVolkswagen, parceira daAudi na fábri- ca do Paraná, está fazendo um investi- mento de R$ 1,4 bilhão para produzir ali oT-Cross. Isso pode beneficiar aAudi de alguma forma? Isso é muito bom para nós. (silêncio) Aplataforma doT-Cross, aMQB, também é aplicada nos modelos Audi, não? Todos os nossos veículos com motor transversal são MQB. Atualmente qual é a capacidade de pro- dução da Audi na fábrica de São José dos Pinhais? 26mil ao ano. Estamos longe de atingi-la, em 2018 fizemos seis mil. Não estamos preocupados com falta de capacidade (risos) . Eu gostaria de ter esse problema, para ser sincero. Pelo que o senhor afirma então o foco da Audi aqui está no mercado interno, mas o segmento premium é altamente competitivo e também caiu bastante. Como se equilibra esta conta? As regras do Inovar-Auto favoreceram a produção local mas hoje, agora, a re- alidade mudou bastante: temos quatro fábricas que lutam por 50 mil clientes ao ano, o que com certeza não é o melhor cenário. Temos expectativa de que o mercado vai melhorar, mas ainda vai demorar um pouco. Já se falou em 100 mil unidades para o mercado premium ao ano no Brasil... Acho que esse número é possível, mas repito que vai demorar. De qualquer forma para nós 2018 foi muito bom, atingimos todas as nossas metas, não necessariamente em volume mas essa não era nossa prioridade agora. Com certeza fizemos um planejamento ini- cial com volume muito maior do que o atual, quatro, cinco anos atrás, e não fomos os únicos. Agora pegamos outro para aArgentina, mas umconcorrente do mesmo segmento já exportoudaqui para os Estados Unidos. Qual é a diferença? Já vivi uma experiência semelhante na fábrica de São José dos Pinhais, quando exportávamos Golf de lá para os Estados Unidos, e posso garantir que não foi por nossa produção aqui ser mais competi- tiva do que na Alemanha. O caso é que ou você fecha uma fábrica ou não fecha, ou você manda as pessoas embora ou inventa uma coisa para não necessaria- mente fechar uma fábrica ou parte dela. Esse quadro vem de uma questão me- ramente de custo ou há outros compli- cadores? Por uma questão de burocracia, que gera custo. Por exemplo: aqui há um sistema de drawback, no qual paga- mos o imposto de importação de uma peça para depois receber um crédito quando exportamos essa peça dentro de um carro. Esse processo é gigan- tesco e complicado. Na União Europeia você já importa a peça sem imposto porque ela será exportada depois, é só declarar e pronto. Aqui precisamos de dez pessoas para deixar a peça entrar e depois sair. Além disso há as regras de homologação de cada país, no Brasil uma, naArgentina outra, no Uruguai uma terceira... é inviável fazer esse processo todo para exportar cem unidades para umpaís, trezentas para outro. Eu gostaria
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