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17 AutoData | Fevereiro 2019 Temos que tirar da cabeça a ideia de que investimento forte em elétricos fará desaparecer os carros a combustão. Isso não vai acontecer. É um processo de mais 20, 25 anos até termos soluções adequadas para todos. O Brasil é o País commaior uso de combustível renovável do mundo inteiro, então aqui a discus- são deveria ser a de como combinar o etanol à mobilidade do futuro, e não dizer que o etanol é tecnologia de ontem e que agora todo mundo vai andar de carro elétrico sem saber de onde vem a energia. Com o etanol o Brasil poderia ser um líder em tecnologias alternativas, para além do elétrico. Tudo bem, mas o impacto de uma apresentação estática de uma nova tecnologia e seu uso no dia-a-dia são coisas bastante distintas... Sinceramente, com a estrutura que te- mos hoje aqui no Brasil o carro elétrico não é nada prático. Porém o e-tron tem autonomia de 400 quilômetros. Tudo bem, isso é no papel: no trânsito de São Paulo, em uso real, será menor. Ainda faremos testes mas vamos di- zer que fique, talvez, em algo como 300 quilômetros: as pessoas aqui di- rigem em média 50 quilômetros por dia. Na teoria você poderia carregar a bateria só aos finais de semana. É um carro para ir ao trabalho, depois para uma reunião, restaurante etc. e à noite voltar para casa. Há proble- ma só em caso de uma viagem maior, para Belo Horizonte ou Curitiba, por exemplo. Ou seja: para uma família que tem um carro só, os elétricos não são práticos, mas quem comprar um e- tron, que deverá custar na faixa de R$ 400 mil a R$ 500 mil, com certeza tem outro carro na garagem. Para viagens, usará seu Q7. (risos) “Com a estrutura que temos hoje no Brasil o carro elétrico não é nada prático. O segmento premium está pronto para ele, mas o de volume não.”

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