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28 Fevereiro 2019 | AutoData POLÍTICA INDUSTRIAL » ROTA 2030 Toyota só estava esperando a assinatura Por André Barros Até o fim deste ano entrará em produção em série o primeiro automóvel híbrido do mundo equipado com um motor elétrico e um flex fuel. Ele sairá das linhas de uma das fábricas da Toyota do Brasil – provavelmente Indaiatuba, SP –, anunciou a companhia em cerimônia organizada no dia 13 de dezembro em Brasília, DF, com a presença do agora ex- presidente da República. Embora os testes da tecnologia híbrida flex tenham sido conduzidos com um Prius a empresa não confirmou qual será o primeiro modelo a receber o sistema. Recentemente investimento de R$ 1 bilhão foi anunciado para a fábrica de Indaiatuba, de onde sai o Corolla. Foi fundamental a decisão do governo de conceder 1 ponto porcentual extra de desconto no IPI a veículos que combinem motor elétrico com flex. “São três pontos porcentuais a menos de IPI para um modelo híbrido flex comparado a um híbrido com motor a gasolina”, comemorou Ricardo Bastos, diretor de assuntos governamentais da Toyota. “O apoio que o Rota 2030 dá ao desenvolvimento dessas tecnologias foi importante para a nossa decisão.” A iniciativa Toyota colabora de forma direta com a nacionalização de tecnologias híbridas: além de ser o primeiro no mundo a usar tecnologia flex fuel o veículo que a montadora produzirá será pioneiro em tecnologia híbrida com produção local. Segundo Bastos boa parte do modelo terá conteúdo local, mas os sistemas do conjunto híbrido serão importados, ao menos por enquanto: “Nossa intenção é crescer o conteúdo local e já estamos em negociação com fornecedores e sistemistas para isso”. Apresentado em março o protótipo do Prius híbrido flex concluiu seus testes no País percorrendo diversas estradas para avaliar o comportamento do conjunto motor-transmissão quando abastecido com etanol. O próprio anúncio da produção em série da tecnologia comprova que os resultados foram positivos, segundo Bastos. O desenvolvimento foi liderado pela equipe de engenharia brasileira, com auxílio da matriz, no Japão. Com bastante interesse na tecnologia a Unica, União da Indústria de Cana-de Açúcar, foi uma das principais apoiadoras do projeto, que contou também com parcerias com a UnB, Universidade de Brasília, e também com a USP, a Universidade de São Paulo. responsável por conceder as habilitações, foi extinto pelo atual governo federal, que em seu lugar instituiu a Sepec, Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, parte do Ministério da Economia. Da mesma forma o MDIC soltou até 28 de dezembro duas portarias e uma resolução como complementos do Rota 2030, a respeito do regime de autopeças não produzidas no País, as metas de efici- ência energética e a formação do grupo de acompanhamento e do conselho gestor do programa. Neste ano mais nada foi pu- blicado a respeito do regime automotivo. Poucos dias antes de entregar a faixa o antigo presidente foi modestamente celebrado pela Anfavea: Antônio Megale entregou-lhe em mãos uma placa onde se lê: “Homenagem da Anfavea e do Setor Automotivo ao Presidente da República por acreditar e apoiar pesquisa e desen- volvimento no Brasil” (sic). É pouco, muito menos do que foi imaginado no início das conversas em Brasília naquele abril de 2017. Mas aparenta ser bem mais do que se a decisão tivesse ficado nas mãos do governo atual.

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