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49 AutoData | Fevereiro 2019 lhões de pessoas perdendo seu trabalho, seus investimentos e suas economias em poucas semanas”. Das incontáveis empresas que foram à lona estavam dois dos três ícones de Detroit, General Motors e Chrysler, que, juntas, registraram um prejuízo quase inacreditável de US$ 31 bilhões apenas naquele ano. O governo estadunidense interveio: concedeu gordo empréstimo à GM e ofe- receu ajuda para quem quisesse salvar a Chrysler – e a Fiat quis. Luiz Carlos Mello, ex-presidente da Ford Brasil, recorda: “A Fiat não comprou a Chrysler, absorveu. Foi mais do que um presente: o governo estadunidense estava dando a Chrysler de graça. Foi uma oportunidade que a Fiat teve o oportunismo de aceitar”. Os Estados Unidos injetaram US$ 6 bilhões na Chrysler, mas mesmo assim a empresa entrou em concordata e o go- verno passou a deter 8% das ações, além da retirada da Daimler e do fundo Cerbe- rus da sociedade. No fim do primeiro se- mestre de 2009 a Fiat entrou com 20% de participação na então denominada Nova Chrysler, da qual 55% estavam em mãos do sindicato UAW, Union Auto Workers. Ali fazia menos de cinco anos que o Grupo Fiat estava sob comando de Sergio Marchionne, cuja ideia original era unir não só a Chrysler mas também a GM à Fiat. Do lado de lá do Atlântico o faturamen- to havia encolhido de € 59,6 bilhões do ano anterior para € 50,1 bilhões. A oferta foi assumir 20% da Chrysler sem colocar dinheiro, oferecendo em troca apenas acesso às plataformas do grupo italiano, tecnologias de motores, organização da produção e apoio para distribuição global de veículos. Marchionne vislumbrava em especial três itens: o potencial da marca Jeep, a possibilidade de ampliar os mercados Fiat, então resumidos essencialmente a Brasil e Itália, e os grandes lucros das picapes grandes da linha Dodge RAM. Aos poucos a Fiat aumentou sua par- ticipação na Chrysler até chegar a 60% e, em 2014, deu uma tacada de € 3,65 bilhões para assumir 100% de uma das empresas mais emblemáticas dos Esta- Nos cem mais vendidos do mundo, seis FCA Toyota Corolla | 995 356 Jeep Wrangler 250 489 Jeep Renegade 223 799 Jeep Grand Cherokee 233 970 1º . 12º . 30º . 51º . 61º . 56º . 65º . Picape RAM 501 643 Jeep Cherokee 253 893 Jeep Compass 346 527 Chrysler 314 0% 145 0% 68 0% 15 0% 34 0% Marca Venda Part. Venda Part. Venda Part. Venda Part. Venda Part. Fiat 505 121 18,1% 316 123 14,9% 190 129 11,3% 172 361 9,3% 183 369 8,7% Dodge 3 377 0,1% 2 012 0,1% 724 0% 495 0% 356 0% Jeep 3 311 0,1% 41 795 2% 59 055 3,5% 88 201 4,8% 106 953 5,1% Total FCA 512 123 18,3% 360 075 17% 249 986 14,8% 261 072 14,1% 290 712 13,8% Período 2014 2015 2016 2017 2018 Vendas de automóveis das marcas FCA no Brasil de 2014 a 2018 Fonte: Anfavea
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