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57 AutoData | Fevereiro 2019 novidades, e sim mostrou evoluções, até surpreendentes, de antigas novidades – tipo adaptação de comando por voz. De novidade de verdade, pelo me- nos naquele pedaço de mundo que nos interessa, que é o de veículos, a do Mercedes-Benz CLA foi primeira apre- sentação mundial, um carro que tem 70% de infraestrutura para direção autônoma, coisa avançadíssima pois a base dessa diferenciação é o uso abundante de in- teligência artificial, ramo da ciência que tem sido tratado como se fosse um santo graal redivivo, avatar de alta têmpera, tal a importância de seus avanços e aplicações. O apelo da CES sobre a mídia local é impressionante. Tivemos a imagem desse modelo CLA, particularmente o de cor vermelha ancorado no estande da Mer- cedes-Benz, mostrada à saturação para todo o país em todos os noticiários, TV e jornais. E sempre associada à já mítica inteligência artificial – parece que o futuro terá sua cor, cheiro e consistência e que os crentes podem se preparar para outros dias, diferentes dias. Chegará a hora, tam- bém no Brasil, em que as bênçãos serão ungidas em nome da inteligência artificial, omais novoWalhala da redenção humana. É fácil identificar os novos crentes, todos eles de telefone celular nas mãos prontos para registrar os ectoplasmas mais brilhantes da nova era – incluindo aí as pla- cas dos banheiros: as hordas fotografam tudo e também têm profunda tendência a se juntar em filas, longas, inclusive nas portas dos banheiros. E também nas pro- ximidades das lojas de café da Starbucks: não é incomum demorar 30 minutos para sair de lá com um expresso doppio nas mãos, o que agrada a todos. Não se pode dizer que a CES seja uma bagunça mas, sim, que é uma feira que democratiza os momentos de convivência de jornalistas com aqueles hunos, os tais dotados de celulares. É uma feira intratá- vel, incobrível, dividida em quatro áreas simplesmente enormes em distintas regi- ões da cidade e refletida em centenas de painéis de discussão e de apresentações e emmais de milhar de estandes de em- presas que julgam ter algo digno a mostrar para todos, consumidores e jornalistas. Há uma particularidade nas feiras re- alizadas em países localizados acima da linha do Equador, como a CES: os exe- cutivos geralmente falam basicamente para as plateias locais, e têm dificuldade, por exemplo, de traçar sua perspectiva quando o objeto são as populações que habitam abaixo daquela linha, que deter- mina a relação Norte-Sul. Quando falam a respeito do futuro da humanidade, da inte- ligência artificial, dos veículos autônomos e da sua eletrificação não necessariamente estão falando para consumidores brasilei- ros, por exemplo: seu alcance é universal mas sua aplicação é rigorosamente local, acima ou abaixo da linha do Equador. A Ford tratou de usar linguagem mais PARECE DETROIT MAS É VEGAS A Mercedes-Benz escolheu o CES para mostrar ao mundo seu novo CLA. O argumento: trata-se de carro pronto para se tornar autônomo.

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