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12 FROM THE TOP » FLÁVIO SAKAI, AEA Março 2019 | AutoData “Montadora A ou B daqui perdeu projetos para o Exterior não por falta de capacidade técnica mas sim por custo/ hora e temas trabalhistas.” “Está claro que o engenheiro automotivo precisa mudar para engenheiro da mobilidade. O mundo não é mais só o carro, o produto: é serviço, infraestrutura.” Será apenas essa, então, a vocação do engenheiro brasileiro? O perfil do engenheiro brasileiro é muito bom. Nosso problema tem sido compe- titividade e não capacidade. Montadora A ou B perdeu projetos para o Exterior não por falta de capacidade técnica mas por custo/hora e temas trabalhistas. Se o engenheiro brasileiro participar de um projeto global ele terá que trabalhar a qualquer hora. Quando aqui é dia o pes- soal da China e da Índia está falando com a gente, estão trabalhando à noite. Eles têm um fluxo de horário e uma massa que permite que trabalhempraticamen- te 24 horas. Mas com o engenheiro europeu e esta- dunidense não acontece isso... Não, mas eles são os donos do know- how, transferem uma massa de desen- volvimento muito grande para a Ásia. Mas se temos muita capacidade porque temos que nos submeter a uma lógica da Ásia e não o inverso? Primeiro temos que ser competitivos. Eles não são ruins, eles aprenderam a ser bons, aprendem muito rápido. Aqui existem várias restrições ligadas ao de número de horas trabalhadas, adicio- nais etc. que nos fazem perder compe- titividade. Os projetos globais têm essa característica, os períodos de trabalho são intensos, saem do fluxo normal. Nós perdemos projetos puramente por com- petitividade, a questão é custo. Há um business case e os projetos não são de milhares, são de milhões de dólares. Dá para calcular essa perda? Vamos dizer que se o custo na Índia for 50 na China será de 75, no Brasil de 100 a 110 e no México algo entre a China e o Brasil.
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