353-2019-03

17 AutoData | Março 2019 entender que o mundo está mudando muito rápido, e isso envolve também o engenheiro e faz parte da cultura da engenharia. Não podemos falar que a Anfavea, a AEA, o Sindipeças e o go- verno encontrarão uma solução para manter os cem nesse nosso mercado. Aqui temos várias associações do seg- mento, comoAEA, SAE Brasil, IQA... Apro- veitando esse momento de mudança ao qual o senhor se refere não seria a hora de se unirem ou trabalharem em mesmo norte? Nãovejo conflito nemconcorrência, ainda que promovamos eventos e eles tam- bém. Acho importante que os profissio- nais tenham acesso a opiniões variadas de associações diferentes. Mas acho que podemos, sim, sentar e discutir trabalhos na mesma direção, sincronizados. Isso não é muito pouco? Em vinte anos nossa frota não será majoritariamente formada por carros elétricos... Teremos uma migração, pode ser que seja 50%-50%, 60%-40%. Faz parte da economia global. Mas daqui vinte anos a indústria será totalmente diferente, essa migração não significa que a en- genharia nacional acabará, mas sim que mudará. Se reduzir o volume de trabalho no campo de provas o engenheiro não estará desempregado, estará fazendo outras coisas. Vamos traçar um paralelo: durante todo o processo do Rota 2030 e agora com a Indústria 4.0 se dizia, e se dirá, que a automação reduz o número de empregos. A mudança acontecerá, e o desafio para o profissional de en- genharia é entender que ele precisa se preparar para essas mudanças. E isso desde o momento em que se recebe o diploma. A engenharia não acaba, ela muda e se transforma. E quem já está fora do mercado? Há como retornar? Não é fácil. Hoje as profissões na área de humanas são mais disputadas do que as de exatas, é o perfil da nova geração. Há, portanto, uma quantidade menor de pessoas que buscarão a área automo- tiva, da mobilidade, e só se vê notícia de empresa tal mandando embora e outra transferindo a engenharia para outro país. O nosso trabalho aqui é nos aproximarmos da universidade, mostrar que a área é interessante. É algo que precisa ser feito e não é da noite para o dia. Mas o retorno é uma questão mais complexa, porque nós não controlamos a tecnologia, ela vem e nos atropela. É um desafio enorme uma pessoa de 40, 50, 60 anos se manter atualizada e competir com uma que praticamente nasceu conectada e que, por isto, está forçando essa mudança de patamar da tecnologia. O mundo está mudando, de cem pessoas que têm formação e querem ficar na área trinta conseguirão e setenta terão que migrar. Não é uma notícia ruim, pois as pessoas têm que

RkJQdWJsaXNoZXIy NjI0NzM=