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32 Março 2019 | AutoData EXCLUSIVO » GENERAL MOTORS mento com a gente. É sensacional. Aca- bou a fricção nas negociações. E ele [for- necedor] acabou adquirindo um tíquete para propormudanças como substituição de peças, troca demateriais ou qualquer outro exemplo que gere eficiência. Com relação às ineficiências do País: o que o senhor vemdizendo não é nenhu- ma novidade. Um grande problema da lucratividade da indústria tem a ver com a exposição cambial do País. Para diminuir este risco, que é amesma coisa que dizer quemeus investimentos terão um retorno muito mais previsível e estável, eu preciso ex- portar. Exportar volumes relevantes. E aí haverá competição com outras fábricas no mundo. No cenário atual perdemos para todos. Para México, Coréia, Japão. Perdemos até para a Europa. Mas não é o único entrave. Outro grande problema é a pressão tri- butária, dentre outras ineficiências. Há, também, empresas abusando dos bene- fícios e que geramumcusto enorme para a indústria. Isso não é novidade. Acredi- tamos que este momento é a melhor oportunidade que temos para discutir. O novo governo deseja uma abertura do mercado. Não só da indústria automotiva. Umexemplo de abertura é o livre comér- cio com o México. Esse é um caso que expõe as nossas ineficiências. Fabricar aqui ou lá e ven- der aqui tanto faz do ponto de vista do câmbio. Posso fazer um investimento só e exportar para o Brasil além de outros mercados, já que os custos no México sãomais competitivos de 20% a 25%. Sem contar a questão tributária. Os produtos são os mesmos, a empresa é a mesma. Por que eu investiria no Brasil? Mas parece ser inevitável uma política de abertura do País no curto prazo. Se realmente é esse o projeto de País você precisa trabalhar a enorme inefici- ência fiscal. Tem que começar por aí. E depois seguir ajustando a falta de compe- titividade. Porque do jeito que está não dá nempara abrir omercado comoMéxico. E como fazer tudo isso? Poderíamos iniciar com um programa exclusivo para exportadores. Criar con- dições para aqueles que exportammais de 50% do volume ou do valor comarre- cadação diferenciada. O que não pode é exportar carga tributária. O senhor acredita que haveria oportu- nidade para empresas com esse perfil? O custo da porta da fábrica para dentro não é muito diferente no Brasil diante do resto do mundo. Com um programa competitivo para exportadores isolaría- mos o câmbio e teríamos uma indústria com escala e lucratividade sustentável. E estou me referindo a níveis globais de lucratividade. Mesmo assim os problemas estruturais permaneceriam. Entendemos que uma discussão ampla sobre todos os pontos que geram inefi- ciência na indústria é algo que não será colocada na pauta de uma hora para ou- tra. Temos vários problemas domésticos e a carga tributária é um deles. Estamos dizendo que há uma oportunidade para atacarmos esses problemas e, se olhar- mos com o objetivo de incrementar a vocação exportadora, poderemos gerar muitos investimentos. Qual seria o impacto de uma medida como essa? Se temos 60%, 65% de custos em reais e o resto em dólar precisamos exportar esses 40% em valor para nos proteger- mos dos impactos do câmbio. E temque ser exportação extra-Mercosul, pois na região estamos trocandomoeda que não alivia a pressão do câmbio. Quero reforçar que não estou vendo tudo isso como uma oportunidade para crescer. Estou encarando isso como uma oportunidade para definirmos a vocação da indústria brasileira.

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