353-2019-03
37 AutoData | Março 2019 MADE IN WHERE? Dilema é aquele de sempre: faltam volume e capacidade de investir para nacionalizar itens tecnologicamente mais sofisticados. condutores para países da Europa, Ásia e também para Estados Unidos e México. Não temos fornecedores de eletrônicos produzindo no País e nem acho que te- remos. A tendência é a de que a importa- ção de componentes desse tipo para os veículos aumente”. Mas Botelho reconhece que uma cres- cente demanda por itens eletrônicos po- derá gerar escala suficiente, em alguns casos, para motivar pelo menos parte da produção no País: “A própria Bosch é um bom exemplo, pois tem uma fábrica no Brasil especializada em freios ABS há mais de uma década, emais recentemente em sistemas de controle de estabilidade. Divulgação/Bosch Produzimos localmente toda a parte ele- tromecânica desses componentes, mas o conteúdo eletrônico, como chips e sen- sores, vem todo de fora”. A conta que sistemistas e autopeças fazem é simples: se o equipamento tiver muitos componentes eletromecânicos e a escala de produção for compensadora é possível pensar em produção local, mas com itens eletrônicos sempre importados. Para itens de segurança mais comple- xos, com muitos sensores eletrônicos e uma central de gerenciamento sofisticada, porém, vale mais a pena importar todo o conjunto, na visão do presidente da Bosch. INEGÁVEL Outro caso é o da ZF América do Sul. Wilson Bricio, CEO, revela que a empresa já realizou estudos para avaliar a viabili- dade da nacionalização de transmissões automáticas, por exemplo, mas os volu- mes por plataforma ainda não justificam tamanha iniciativa. “Para cada uma delas seria necessária uma homologação, o que se traduz em processos individuais custosos.” Para Bri- cio a produção se justifica somente em ambientes competitivos e de altíssimos volumes, o que não é o caso do Brasil: “O crescimento da adoção de transmissões automáticas pelo mercado brasileiro é inegável, contudo igualmente o são os impasses que geram entraves na nossa competividade.” Esta lacuna na produção local de trans- missões automáticas é emblemática, pois elas equiparam nada menos do que 49% dos carros novos vendidos no Brasil em 2018 de acordo com levantamento da Bri- ght Consulting, de Campinas, SP. Cassio Plagliarini, consultor, entende que “hoje essas transmissões são muito sofisticadas e utilizammuitos componentes eletrônicos que precisariam ser importados. Só umvo- lume de 500 mil unidades/ano justificaria a produção local de câmbio automático, que ainda precisaria ser usado por várias montadoras concorrentes”. O Sindipeças, que participou ativamen- te dos debates sobre o Rota 2030, aposta
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NjI0NzM=