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38 Março 2019 | AutoData AUTOPEÇAS » ESTRATÉGIA Cronograma obrigatório que muitos itens poderão ser nacionaliza- dos – ainda que não os mais avançados. Para Alexandre Pagotto, coordenador do Grupo de Segurança Veicular da entida- de, é muito provável a localização de air- bags laterais e itens de iluminação, por exemplo: “O Rota 2030 é um avanço para o setor de autopeças, tendo emvista que o Inovar-Auto foi discutido apenas com as montadoras”. Botelho, da Bosch, lembra que o Rota 2030, por meio do mecanismo do ex- -tarifário, permite a importação sem im- posto de itens não fabricados no Brasil. A parte da isenção, 2%, terá de ser investida em pesquisa e desenvolvimento, embora ainda falte a regulamentação que espe- cifique como se dará exatamente essa contrapartida. “A Bosch, que sempre in- vestiu fortemente em P&D no Brasil, já se habilitou para continuar fazendo isso no novo regime automotivo”. Para Paulo Cardamone, diretor da Bri- ght Consulting, o Rota 2030 realmente contemplou o setor de autopeças, mas só será positivo para os sistemistas: “O programa não ajuda os pequenos e mé- dios fabricantes de autopeças, Tiers 2 e 3, que passampor ummomento de extrema dificuldade e não conseguirão entrar na cadeia de equipamentos mais complexos ou de itens de conectividade, cada vez mais demandados pelos consumidores. Com isso crescerá muito a dependência de componentes importados, sobretudo dos itens de segurança avançada”. De acordo com o cronograma esta- belecido em 2020 os novos projetos de carros de passeio terão de oferecer de série airbags laterais, controle de estabi- lidade e aviso sonoro para uso do cinto de segurança. Nos anos seguintes eles serão obrigatórios para todos os carros vendi- dos no Brasil, inclusive projetos antigos. Também estão no calendário proteção ao pedestre, sensores de ré, faróis diurnos, indicador de direção lateral e sinal de fre- nagem de emergência. PULVERIZAÇÃO Para Botelho é possível que alguns fornecedores nacionalizem itens eletro- mecânicos ligados a novas gerações de sistemas de freio e de transmissão auto- mática, por exemplo. Mas boa parte das novidades terá de ser importada, reforça: “É importante lembrar que nossomercado está se recuperando, mas ainda está longe dos patamares pré-crise. Alémdisso o Bra- sil tem uma pulverização de fabricantes e demodelos como nenhumpaís nomundo, o que cria ainda maior dificuldade para escala e padronização de componentes”. Para o executivo o Inovar-Auto falhou ao forçar um aumento da capacidade pro- dutiva para ummercado que não evoluiu emvolumes, gerando grande ociosidade. Cardamone aponta alguns cenários preocupantes para o setor de autopeças no estudo Automotive Brazil 2030, recém- publicado em parceria com a Neocom Inteligência Aplicada. Um dos cenários mais prováveis aponta que dos atuais 350 fabricantes pequenos e médios de auto- peças menos de cem devem sobreviver nos próximos anos: “Isso aumenta a de- pendência de componentes importados e pode levar a um processo de ‘CKDização’ dos carros nacionais, prejudicando até os sistemistas”. Pagotto concorda que os desafios são grandes para setor que sofreu demais e se descapitalizou durante a crise, mas nutre visão mais otimista: “Os sistemistas dependemmuito do restante da cadeia e vários estão ajudando na recuperação de pequenos fornecedores em dificuldades, mas com bom potencial”. Todos os carros Carros novos até 2023 até 2020 Airbag lateral até 2021 até 2020 Aviso falta de uso cinto motorista até 2023 até 2021 Farol diurno – DLR até 2022 até 2020 Controle de estabilidade – ESC até 2023 até 2021 Indicador direção lateral até 2023 até 2021 Indicador frenagem emergência – ESS até 2027 até 2025 Câmera de ré ou sensor de ré

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