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52 Março 2019 | AutoData CIDADES INTELIGENTES » AMÉRICA LATINA teresse porque os avanços tecnológicos têm custos que podem tornar inviáveis as operações. Eles [os operadores] acham que podem quebrar suas empresas”. Por outro lado as reclamações da so- ciedade sobre a qualidade e a eficiência dos serviços prestados, além dos efeitos da poluição gerados pelo transporte pú- blico nas grandes cidades, está começan- do a direcionar os investimentos dessas empresas, avalia Gomes. Claro que tem sido necessário um em- purrãozinho do poder público. Na Argen- tina, por exemplo, a província de Santa Fé definiu como programa de governo a criação de políticas públicas e leis que incentivam o transporte público de qua- lidade. O deputado da província, Joaquin Andrés Blanco, mostrou que o incentivo por meio de renúncia fiscal às iniciativas da eletrificação e a redução do custo da energia para utilização no transporte farão uma revolução em cidades como Rosário, a maior da região, compoucomais de 900 mil habitantes. “Estamos com grande expectativa na transformação do transporte urbano mais limpo e eficiente. O primeiro passo, que é legislar definindo as prioridades e incenti- var os operadores, já foi dado. Isso é só o começo. Precisamos compartilhar nossa experiência até agora com outras cidades da América Latina para que transformem suas práticas nada eficientes.” E O BRASIL? Os sistemas de transporte urbano sobre rodas de Santiago, no Chile, Cali, Medellin e Cartagena, na Colômbia, foram citados como exemplos que já oferecem reais benefícios aos usuários dessas cidades. A transição para eletrificação pode começar por esses sistemas em breve. Ironicamente essas infraestruturas têm como inspiração a Rede Integrada de Transportes de Curitiba, PR, projeto pioneiro na América Latina e bastante co- nhecido no Brasil. Porém, no Fórum, não houve a participação de representantes de empresas e do poder público do Brasil. Questionando a organização do evento sobre a razão da ausência de fabricantes de ônibus do Brasil, o polo produtivo da região, ou de representantes de órgãos governamentais do País – a resposta ofi- cial é a de que os convidados não tinham agenda para participar do Fórum –, ficou no ar uma clara desconexão do País com as discussões na América Latina. Os sinais desse descolamento da in- dústria nacional também são percebidas aqui. Uma semana após o Fórum Smart Cities pesquisa do Conselho Internacional de Transporte Limpo a que o jornal O Es- tado de S. Paulo teve acesso mostrou que os ônibus novos com ar-condicionado que rodam na cidade de São Paulo emitem 15% mais CO2 do que os ônibus velhos. Enquanto as apresentações em lín- gua espanhola na Cidade do México mostraram um futuro participativo para o transporte urbano da Améria Latina, São Paulo é refém dos grupos empresariais que defendem seus interesses patroci- nando o retrocesso à evolução necessária. E a indústria segue conivente com esse modelo, pois emvez de dar sua contribui- ção comveículos mais eficientes e limpos continua produzindo e vendendo ônibus mais poluentes aos que foram chamados de mafiosos pelos maiores especialistas em mobilidade da região. Até quando a indústria permanecerá omissa? “É preciso regular as opções de transporte com bicicleta, patinetes e até a locomoção a pé para realmente oferecer opções de fato sustentáveis e inteligentes. Ainda não temos essa configuração na América Latina.” Felipe Calderón, ex-presidente do México
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