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8 » LENTES Março 2019 | AutoData VALE A PENA VER DE NOVO? A novela Rota 2030 ainda rende capítulos. O programa que virou lei era assunto em publicações do Diário Oficial da União no começo do ano: empresas interessadas nos benefícios fiscais que contemplam projetos de pesquisa e desenvolvimento trataram de se inscrever, e a movimentação gerou a publicação de portarias na mídia oficial. Vieram as águas de fevereiro e os interessados minguaram. Lentes comentou com fonte do governo que não tem visto mais tais publicações, e ela prontamente respondeu: “E nem verá”. Espera-se, em Brasília, DF, que o programa passe por pente fino no que diz respeito aos incentivos: “Mas não agora. E, talvez, nem depois”. TEMPOS DE GOIABINHAS* Verdades incomodam desde antes de O Vermelho e o Negro ter sido escrito, principalmente a quem faz extremado bom juízo de coisas que muito preza. Como a classe dominante brasileira, aquela que consegue manter suas obturações em dia, com relação a conquistas que o País obteve em quinhentos e tantos anos, como a indústria automobilística e o setor automotivo, e sempre ignorando os contextos porque não os compreende: conhecimento é raro e hermenêutica deve ser alguma ciência oculta, mesmo porque nin-guém! sabe o que vem a ser isto. E a vida segue com goiabeiras e com Stroessner transformado em estadista e com governador travestido de corretor de imóveis. A General Motors de sempre, falha nas táticas, chega à ameaça de deixar o País, e a Ford que, afinal, revela qual a disposição com relação às suas atividades aqui, são os nossos assuntos nesta edição de Lentes . E o começo desta conversa, caríssimo leitor, é apenas uma lembrança: somos um País pobre, de terceiro ou quarto mundo, dependente, quase paupérrimo, de classe dominante obtusa pra dizer o mínimo e cujo mercado de veículos significa incríveis 2,6% do total do mundo. TEMPOS DE GOIABINHAS 2 Sim. 2,6% vêm a ser nossa importância nominal no universo global dos veículos. Isto é nóis neste universo. Viva! Viva? Por Vicente Alessi, filho Sugestões, críticas, comentários, ofensas e assemelhados para esta coluna podem ser dirigidos para o e-mail vi@autodata.com.br TEMPOS DE GOIABINHAS 3 Então, quando uma empresa ameaça cair fora por falta de rentabilidade, e outra diz que fechará fábrica pela mesma razão, nos dói o coração pelo caos social que certamente se formará. Mas... não foi essa, afinal, a escolha da maioria da população, em plebiscito, lá atrás?, pelo regime capitalista? Pois o regime capitalista encerra, em si, o princípio da livre concorrência e do livre arbítrio das empresas: elas se mantêm aqui, ou ali, porque é lucrativo, porque depois de investir e de receber muito dinheiro subsidiado seus acionistas sorriem de satisfação. Quando a lucratividade as abandona, por boas e, geralmente, más razões – e neste caso a Grande Detroit, no Estado de Michigan, é um caso rigorosamente exemplar –, reservam o dinheiro necessário, pagam as suas contas e buscam os seus maiores, e melhores interesses. Já vimos isto acontecer. A qualidade da gestão é muito pouco questionada porque até as pedras que rolam nos caminhos preferem apontar a ineficiência do Estado e da infraestrutura que mantém, da taxa de juros interna vigente, da carga tributária que carregam até os veículos exportados. E a essa população cobram-na como se de primeiro mundo fosse. * Stanislaw Ponte Preta, de nome Sérgio Porto, como testemunha da história comia goiabinhas com seus personagens do Febeapá, o Festival de Besteiras de Assola o País, gerado pela instauração da ditadura em abril de 1964. Na verdade morreu sem ter visto tudo: aqueles meganhas eram uns amadores.

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