353-2019-03
9 AutoData | Março 2019 Colaborou Bruno de Oliveira TEMPOS DE GOIABINHAS 4 E qual a atual imbricada dos negócios que não exatamente é simpática aos interesses e às necessidades brasiliensis? Ora, pois, o mundo mudou e, na área específica dos veículos está aí, bem à frente, um período de investimento massivo em coisas novas, a tal inovação, talvez como o setor jamais tenha vivido outro igual. Pois a eletrificação dos veículos e a sua virtude de autônomos requererá tal volume de capital que a própria indústria tem medo de contabilizá-lo. Neste instante todas as operações têm que ser obrigatoriamente lucrativas – e muito – para sustentar as novas necessidades e continuar a apoiar as atuais. Com que olhos de lince sobre a lupa executivos financeiros das companhias enxergarão os resultados de uma região ignota conhecida como Brasil, 2,6% de participação e no vermelho? A PROPÓSITO Na manhã da terça- feira, 19, o prefeito de São Bernardo do Campo, SP, mirava o seu futuro industrial: “Temos planos de atração de emprego, inclusive com incentivo”. O semblante alegre cedeu à carranca quando o assunto tornou-se a Ford e o futuro de sua operação na região: “Aqui no gabinete entram e saem todos os presidentes. Ford? Nunca”. A PROPÓSITO 2 À tarde, divulgado anúncio no qual a Ford oficializava saída do mercado de caminhões e o fechamento da fábrica, a carranca do prefeito tornou- se esquife de gelo, tamanha a surpresa causada pela notícia, disseram interlocutores na Prefeitura. E grito vindo do gabinete chegou a cortar o ar como navalha nova: “Covardes!”. Não conseguiu manter a cordialidade no texto da nota oficial que teria de divulgar à noite. Um assessor se apressou em justificar o seu cancelamento: “Escreveu com o fígado”. A solução foi gravar um vídeo no qual, mais calmo, prometeu manter o emprego dos trabalhadores da Ford. TEMPOS DE GOIABINHAS 5 Não tenham dúvidas que a lógica GM e a lógica Ford com relação ao Brasil acompanham a lógica fundamental do negócio capitalista – que não é pior nem melhor do que qualquer outra. Trata-se, claro, de poeira com a qual é razoável conviver em circunstâncias normais – mas não se vive, hoje em dia, circunstâncias normais neste ramo. É necessário bancar o trilhão de dólares que, se avalia, custará o processo geral de eletrificação dos veículos e para torná-los autônomos. Não há nada de perverso no processo, nada de mau, nada pessoal: são apenas negócios. TEMPOS DE GOIABINHAS 6 Conheço menos o caso General Motors, que por muito boas razões vendeu para o Grupo PSA sua joia da coroa, a Opel, e pouco mais o Ford. A Ford anuncia, há mais de ano, poderosa reestruturação de negócios em todo o mundo, atendendo à lógica da necessidade de tendências que detectou de velho e que vão além da eletrificação e da autonomia veicular: batem em cheio na novidade conhecida como mobilidade, uma geringonça que ainda muitos poucos entendem de maneira integral. E nesse grande jogo do qual somos todos testemunhas cada empresa se arruma como pode ou como consegue: precisa desesperadamente de cada conjunto de cents que suas subsidiárias conseguem gerar. Pois como dizia o finório Herbert Hubert Demel, ex- Volkswagen aqui, ex-Fiat no mundo, dentre outras coisas, e que sabe tudo, este é um jogo de cachorrões grandões – e deter 2,6% de participação nos negócios mundiais do ramo é osso pra vira-lata roer. a n n d i i d i k / S h u t t e r s t o c k . c o m
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NjI0NzM=