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8 » LENTES Abril 2019 | AutoData MALDIÇÃO DE GESSNER Foi, afinal, um engano: os últimos gravetos de energia da atual administração anfaveana provocaram os fantasmas daquele casarão da avenida Indianópolis, em São Paulo. Os mais antigos se lembram que a maldição de Gessner sempre chega a todos aqueles que, em fim de mandato, abusam da boa vontade dos simples humanos – como tomar certas decisões à revelia da diretoria, como marcar reunião com ministro e para lá levar só representantes de três empresas. Exatamente aquelas que desejam livre comércio com o México quando o Brasil for potência de primeira linha. Isto aconteceu em 29 de março, às 10h00. Mas foi engano: o ministro convocou as três empresas e o presidente Megale compareceu como Volkswagen pois seu presidente viajava. Por Vicente Alessi, filho Sugestões, críticas, comentários, ofensas e assemelhados para esta coluna podem ser dirigidos para o e-mail vi@autodata.com.br O QUE DIRÁ MÁRIO BERNARDO? A indústria de veículos, no Brasil, sempre foi extremamente formalista, e formal. As posses dos seus presidentes da Anfavea sempre, sempre, requisitaram alguma pompa e muito protocolo, a presença de autoridades e até de presidentes da República. Fui pessoalmente responsável por uma delas, em 1989, e sei como é intrincada a trama para que, afinal, todos se declarem felizes depois de algumas horas angustiantes de coquetel, discursos, egos em entrechoque, afirmações de vontade... e tome coquetel. Afora a chuva e o trânsito. Este ano, agora mesmo em abril – quando Antônio Megale, da Volkswagen, entrega o título de primus inter pares a Luiz Carlos Gomes de Moraes, da Mercedes-Benz, a bordo de dissidência ainda mal digerida por muitos observadores da cena –, a festança, de custo aproximado de R$ 750 mil, dizem, foi suspensa diante de toda a tradição. O que dirá Mário Garnero quando souber?: que tipo de Buchanan’s estão servindo? O QUE DIRÁ MÁRIO BERNARDO? 2 Imagino o ar de sua incredulidade, a de Mário, presidente da entidade de 1974 a 1981, detentor de três posses, que com maestria saberia destrinchar as encrencas colocadas à mesa. No oficial parece que o custo da festa ultrapassava o razoável, o honesto para um País pobre – ôuquei, diria meu avô Beppe, convencido de que o vinho da indústria de veículos não conseguiria servir a todos os convidados. No extra-oficial a encrenca encaminhava para o protocolo: diante de quem se ajoelhar? Diante do presidente da República, diante do vice-presidente da República, diante do ministro da Economia? O QUE DIRÁ MÁRIO BERNARDO? 3 É a pura verdade que a presença do presidente da República nunca é certa nestes eventos: muitas vezes, em posses da Anfavea, enviaram representantes. Mas... e se o atual decide visitar São Paulo logo neste 23 de abril e se lembrar que Luiz, o Luiz Carlos, toma posse logo hoje? CORRETOR APEDEUTA Governador de certo Estado, que se converteu em corretor de imóvel para a Ford, garantiu que a área administrativa da companhia jamais deixaria o bairro do Taboão. Mas o mundo imobiliário sabe, de velho, que o destino dos colarinhos brancos da Ford é edifício corporativo situado no bairro do Itaim, em São Paulo, Capital.
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