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8 » LENTES Agosto 2019 | AutoData Com a colaboração de Bruno de Oliveira, Leandro Alves e Marcos Rozen Por Vicente Alessi, filho Sugestões, críticas, comentários, ofensas e assemelhados para esta coluna podem ser dirigidos para o e-mail vi@autodata.com.br SÓ PERGUNTAS Há muita conversa, e dúvidas, no mercado a respeito do destino que será dado, pela Ford, às suas instalações no bairro do Taboão, em São Bernardo do Campo: será um destino industrial ou um destino imobiliário, ou um pouco de cada um? E há, também, muitas perguntas, muitas vezes umas variantes de outras. Tem gente que aposta que o Grupo Caoa levantará dinheiro para ficar com a área pois o BNDES estudaria suas possibilidades de entrar nessa dança, e tem gente que imagina a hipótese de que, qualquer que seja o comprador, e qualquer que seja o meio de financiamento, talvez não se interesse por todo aquele parque industrial. Mais: talvez também não lhe interesse aproveitar toda aquela mão-de-obra qualificada formada pela Ford. FIGURA PÚBLICA ANÔNIMA A que ponto chega a preocupação com a segurança de pessoas que, neste ramo de veículos, são figuras públicas: mais uma boa história. Hora de fechamento, chefia cobrando mais rapidez, repórter pressionado telefona para a sede da Anef, a entidade que representa os braços financeiros das montadoras. E estabelece-se o seguinte diálogo: “Gostaria de conversar com o presidente Montenegro, por favor. Ele está?” “Boa tarde”, alguém responde do outro lado. “O presidente Montenegro não atende mais neste telefone.” “Como não? O que houve?” “Ele não é mais o presidente da entidade”, conta o funcionário. “Só por isto.” “Ah! Entendo. E quem é o novo presidente da Anef?” “O novo presidente é o doutor Paulo...” E aí o funcionário tampa o bocal e pergunta “O quê?” para uma terceira voz. E continua: “Infelizmente essa informação não posso passar. Por causa da segurança”. Muito bem: Paulo Noman é o nome dele, também presidente da Chevrolet Serviços Financeiros. É o sucessor de Luiz Montenegro na direção da Anef desde maio. SÓ PERGUNTAS 2 Visto da ponte, neste instante, a melhor posição nesse compra-e-vende é a da própria Ford que, internamente, segue à risca seu cronograma de encerrar atividades no Taboão até dezembro, como previsto. Ela pode, até, no extremo, não se interessar por propostas que surjam: à companhia interessa, em princípio, vender pacote completo, que pode ser fatiado de acordo com algumas circunstâncias – e principalmente com as melhores possibilidades para a área restante: o mercado imobiliário é um eterno interessado, e é sempre bom saber o que ali agrada mais ao pessoal que constrói. SÓ PERGUNTAS 3 Já a posição menos generosa é a dos governos envolvidos no caso, o do Estado de São Paulo e a Prefeitura de São Bernardo: parece que a realidade das decisões se lhes foi tirada das mãos pela própria dinâmica dos negócios, que os dois administradores certamente imaginaram seria rapidíssima. Eles se comprometeram com a causa de 2 mil profissionais na iminência do desemprego e acreditaram nas suas fichas e no seu poder de pressão – o que, neste instante, se revela na forma de fichas de baixo valor e pífio poder de pressão. SÓ PERGUNTAS 4 Suas fichas teriam o nome de dinheiro público, que não anda à farta ultimamente e – como é patético entender tudo isto! –, parece que não tinham, nem têm, o prestígio todo que presumiam.
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