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12 FRom thE toP » AdAlbERto mAluF, byd Fevereiro 2020 | AutoData A dalberto Maluf trabalha na unidade brasileira da chi- nesa BYD, acrônimo para Build Your Dreams, desde meados de 2014 – é atualmente seu diretor de Sustentabilidade, Marketing e Novos Negócios. Fundada em 1995 a BYD é hoje uma gigante mundial fabri- cante de baterias recarregáveis e sistemas de armazenamento de energia. Na área de veículos oferece uma gama 100% elétrica, envolvendo automóveis, vans, ca- minhões e ônibus. No Brasil a BYD inaugurou em 2015 fábrica de ônibus em Cam- pinas, SP, e este mês abrirá fábri- ca de baterias para veículos em Manaus, AM. Nesta entrevista exclusiva o executivo não poupou críticas às posições da Anfavea durante as negociações envolvendo o Rota 2030 no que diz respeito aos elé- tricos, e falou também sobre o modelo do sistema de transporte público no País. Abordou ainda os planos e estratégias da BYD para nosso mercado e outros temas. Entrevista a Leandro Alves e Marcos Rozen elétricos em choque guraremos nossa fábrica de baterias de lítio emManaus, o que será um impulso para a produção. Em Campinas fare- mos ônibus maiores, como articulados e biarticulados. Nossa aposta aqui é de longo prazo, novos nichos surgirão mas o mercado brasileiro ainda é pequeno. O senhor mencionou o Rota 2030. O que faltou, em sua opinião? O principal problema foi a falta de um plano de eficiência energética para pesados. Me lembro bem que no dia do lançamento do programa o pes- soal do MDIC foi muito empoderado pelo ministro. Como representante da Abeifa e depois da ABVE participei de muitas reuniões, foi dito que disso não se abriria mão, pois já não entrou no Inovar-Auto, e os representantes do ministério entendiam que se isso não fosse feito logo as fábricas aqui fecha- riam não por falta de mercado mas sim de competitividade. É uma discussão técnica muito difícil, 80% do que se conversou foi sobre leves. Qual foi a maior di culdade nestas ne - gociações? Uma eventual aquisição da unidade Ford Taboão faria mais sentido para a BYD apenas para o segmento de veí- culos comerciais? Essas negociações estão sendo con- duzidas pela matriz mas, sim, o nosso foco para o mercado latino-americano e em especial o brasileiro ainda é o de comerciais. O Rota 2030 infelizmente não entregou as promessas de redu- ção de impostos e de incentivos para elétricos leves para pessoas físicas. No ano passado conseguimos participação de mais de 70% em ônibus elétricos na América Latina, com contratos im- portantes em Bogotá e em Santiago. Nesses segmentos o TCO, custo total da posse, faz mais sentido: sabemos que os elétricos ainda custam caro e caminhões e ônibus não pagam IPI, então a competição é em uma faixa na qual a economia de combustível já paga o investimento adicional. A fábrica de Campinas tem condições de atender à demanda que vocês es- timam ou seria necessária uma outra unidade produtiva? Tem, no curto prazo. Em fevereiro inau-
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