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56 Fevereiro 2020 | AutoData CARREiRA » ExECutiVoS atropelar, atrapalhar as autoridades japonesas.” Eram esperados do executivo mais por - menores a respeito da fuga, mas o assunto cou longe de ser explicado: Ghosn se limitou a dizer apenas que “os princípios dos direitos humanos foram violados” com sua prisão e que a Justiça japonesa o privou de seus do- cumentos de defesa. Após a entrevista coletiva Masako Mori, mi- nistra da Justiça do Japão, informou por meio de nota que as declarações de Ghosn foram “absolutamente intoleráveis”. A rmou, ainda, que “o sistema de Justiça criminal do Japão estabelece procedimentos apropriados e é administrado adequadamente para esclarecer a verdade nos casos, garantindo os direitos humanos individuais básicos. O governo do Japão tomará todas as medidas disponíveis para que os processos criminais japoneses possam ser adequadamente atendidos, en- quanto trabalha em estreita colaboração com países, organizações internacionais e outras partes interessadas”. Depois, em entrevista exclusiva ao jornal O Estado de S. Paulo, Ghosn disse acreditar que a Aliança desaparecerá: “Eu não acredito por um minuto que a Aliança sobreviva”. Em resposta rápida a matriz da Nissan di - vulgou comunicado negando ter intenções de abandonar a Aliança que mantém com a Renault e a Mitsubishi. “A Nissan não está de nenhuma forma considerando dissolver a Aliança. Ela é a fonte da competividade da Nissan. Por meio da Aliança, para alcançar um crescimento sustentável e rentável, a Nissan continuará entregando resultados de ganha- -ganha para todas as companhias integrantes.” Depois, à Globonews, Ghosn disse que cometeu dois erros: ter deixado a diretoria geral da Nissan para um japonês enquanto se mantinha como presidente do conselho e aceitar alongar demais o período como pre- sidente da Renault. A rmou ainda sobre as acusações: “Não tem nem sonegação de impostos, nem fal- ta de declaração de coisas que já recebi. A acusação foi de não declarar recursos que receberia no futuro. Nos Estados Unidos isso não é umproblema civil, na França e no Líbano isso não existe. Em outros países esse tipo de coisa não é um problema, mas no Japão eles botam você na prisão”. E deixou aberta até a possibilidade de aportar no Brasil em algum momento futuro: “Eu posso ir ao Brasil. A única condição é fazer umvoo direto. Não posso parar em outro país, pode haver problema com a Interpol. Indo direto não tenho problema”. Por m garantiu que busca “julgamento em um país determinado, onde tenha defesa possível, para esclarecer meu nome. Eu quero limpar meu nome, quero limpar minha vida. Esse é meu objetivo. Um lugar para o julga - mento. Vamos botar tudo na mesa. Deixar um juiz que está interessado na verdade, e não em ganhar um processo, decidir”. E assim o mundo automotivo aguarda, boquiaberto, o próximo capítulo da saga Ghosniana.
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