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8 lEntES Fevereiro 2020 | AutoData Por Vicente Alessi, lho Sugestões, críticas, comentários, ofensas e assemelhados para esta coluna podem ser dirigidos para o e-mail vi@autodata.com.br dECAdênCiA dA FiESP Leitores habituais de Lentes hão de se recordar as vezes em que temi que a vida associativa no Brasil, particularmente aquelas dedicadas à grandeza da indústria, fosse, a nal, travestida de catastrofal irrelevância. Também tratei disso no privado, em conversas com titulares de cargos de representação: acho que ajudei a mostrar circunstâncias e a apontar oportunidades su cientes para que, en m, fosse possível o resgate da atividade industrial. Meus interlocutores, sempre cordiais, nem sempre concordam comigo, claro, certamente dispõem de agenda própria ou estão inseridos em algum tipo de grupo de interesse, mas alguns talvez tenham lido artigo assinado por integrantes dos conselhos de administração da Klabin, da Natura&Co e da Ultrapar, Horácio Lafer Piva, Pedro Passos e Pedro Wongtchowski, na Folha de S. Paulo da terça-feira, 22 de janeiro. O título é Morte Anunciada e seu tema é a decadência da Fiesp. dECAdênCiA dA FiESP 2 É encorajador saber que mais pessoas, como Horácio, ex-presidente da própria Fiesp, detêm o mesmo temor que eu, mas é terrível constatar que, para eles, a Fiesp já era, não tem salvação. Trechos: “Deu. Apesar de já há algum tempo estarmos envolvidos em re exões a respeito de representações patronais e termos pactuado certo silêncio, temos novamente que mostrar nossa indignação com o que ocorre em São Paulo. Seremos atacados por amigos do rei, mas a reputação é algo que se presta a ser colocada a serviço de convicções. (...) A indústria está perdendo espaço por razões que conhecemos. Parte sua responsabilidade, parte devido às transformações tecnológicas globais, parte por novos modelos de negócios. No Brasil, um desperdício de talentos e oportunidades, fruto de políticas erradas e falta de coragem na adoção de uma agenda de integração global – que nos colocou distantes da busca prioritária da produtividade. A isso se soma o recorrente desprezo com a pesquisa e com a inovação, e um descaso histórico com a educação, a cultura e a sustentabilidade. (...) Temos nos perguntado onde estão os colegas industriais. E se porventura estão no núcleo ou na órbita desta Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) dos últimos anos. Como não agem para que ela readquira seu papel de relevância e compromisso, respeite sua origem e sua carta de princípios, seja ouvida com respeito e não escárnio, aponte caminhos em conjunto com outras representações, muitas das quais também necessitam de urgente renovação?”. dECAdênCiA dA FiESP 3 A síntese do texto é a de que a outrora poderosa Fiesp está “em acelerado processo de destruição”. Assim como a CNI, no plano nacional. Este assunto poderia, muito bem, ocupar instantes animados nas reuniões das entidades de representação do setor automotivo: talvez se pudesse desenhar a cara do seu futuro.
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