364-2020-03

58 Março 2020 | AutoData cONjUNtURA » GLOBALIzAçãO Coronavírus no ABC No Brasil, pelo menos por enquanto, não há impactos diretos relacionados ao coronavírus na produção e vendas de veículos. Mas uma primeira consequência, ainda que bastante indireta, já foi registrada no ABC. Segundo Wagner Santana, o Wagnão, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o momento é de espera para que o tema do vírus perca força para, assim, crescerem as possibilidades de venda da fábrica da Ford no Taboão, em São Bernardo do Campo, para alguma fabricante de origem chinesa. “Depois que a Caoa desistiu do negócio os ânimos arrefeceram”, relatou o presidente do sindicato. “Voltamos a acreditar em um desfecho rápido com o anúncio da BYD, mas logo na sequência, para o nosso azar, surgiram as primeiras notícias a respeito do vírus na China. Como as empresas interessadas são chinesas, acreditamos que eles tenham outras prioridades no momento.” Só resta, assim, agora, esperar. E torcer. A organização do evento a rmou ainda não dispor de datas alternativas para reali- zação do salão e daí o seu cancelamento de nitivo. Diante da situação houve caso inédito: as coletivas de imprensa das fabricantes previstas para o salão foram realizadas a portas fechadas, sem a presença física de jornalistas, e transmitidas ao vivo pela internet. Nem mesmo a eleição do Carro do Ano deixou de ser realizada, nas mes- mas circunstâncias: ganhou o novo Peu- geot 208, batendo Tesla Model 3, Porsche Taycan, Renault Clio, Ford Puma, Toyota Corolla e BMW Série 1. O representante do júri, Frank Janssen, da revista alemã Stern, avisou o represen- tante do vencedor, Jean-Philippe Impa - rato, vice-presidente executivo da marca Peugeot, por vídeo conferência, também ao vivo – o executivo estava na Inglaterra. PEçAs, sEMPRE ELAs Outra grande encrenca ligada direta- mente ao coronavírus é, naturalmente, a falta de peças que deveriam sair da China para abastecer algumas linhas de monta- gem pelo mundo mas, notadamente, na Ásia. Com a interrupção do uxo normal de trabalho emcidades chinesas por conta do vírus as entregas deixaramde ser feitas, causando reação em cadeia. Honda, Hyundai, Nissan e Toyota fo- ram as primeiras a registrar interrupção na produção de veículos decorrente da falta de componentes importados da China. O outro lado desta moeda é que a in- terrupção da circulação normal de pes- soas teve impacto relevante também nas vendas de veículos na China. Omesmo certamente ocorrerá nos fu- turos relatórios dos resultados de varejo do setor na Itália. Antecipando estes fatos, relatório dis- tribuído pela agência de classi cação de riscos Moody’s ainda no nal de fevereiro projetou queda de 2,5% nas vendas glo - bais de automóveis em 2020, após um recuo de 4,6% no ano passado, devido ao coronavírus. “É uma redução superior à queda de 0,9% que projetávamos inicialmente para o ano”, atestou, em comunicado, Falk Fery, vice-presidente da Moody’s. “As vendas se recuperarão apenas modestamente em 2021, com crescimento de 1,5%.” Antes do vírus começar a se espalhar a agência esperava 1% de crescimento nas vendas da China, índice revisto agora para queda de 2,9%. Nos Estados Unidos, diz a Moody’s, haverá estabilidade, enquanto na Europa as vendas recuarão depois de uma demanda maior do que a projetada no m de 2019.

RkJQdWJsaXNoZXIy NjI0NzM=